<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836</id><updated>2011-09-12T23:56:23.146-07:00</updated><title type='text'>A CANÇÃO DE SIRUIZ</title><subtitle type='html'>Trata-se de um espaço destinado ao pensamento. Pretende-se, aqui, pensar segurança pública a partir daquela constatação do 1º Wittgenstein (tractatus logico philosophicus 6.421): ética e estética são uma só!
A idéia é tentar contribuir para o debate acerca do tema segurança pública, estabelecendo diálogos possíveis (?) entre o direito, a literatura, a filosofia e o quotidiano.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-1997164352166745779</id><published>2011-07-19T12:43:00.000-07:00</published><updated>2011-07-20T06:47:02.199-07:00</updated><title type='text'>A POTÊNCIA POLÍTICA DA AMIZADE</title><content type='html'>Falaram-me de um animal estranho, que se pode encontrar, salvo engano, no bioma ártico da tundra: o Lemingue. É muito simpático, o Lemingue. Trata-se de um pequeno roedor, parente dos hamsters. Mede entre 7 e 12 centímetros, aproximadamente. Dessa adorável criatura já se disse de tudo um pouco. Acreditava-se, no século XVI, que os Lemingues caíam dos céus nos dias de tempestade! Mas, de todos os mitos que cercam esses bichinhos, há um sinistro. Os Lemingues se multiplicam depressa; ao atingirem certo número, no curso de uma tumultuada migração, parte significativa do grupo se precipita no vazio do primeiro abismo que encontra.&lt;br /&gt;Lembrei-me dos Lemingues, a propósito de uma leitura de Walter Benjamin. Benjamin escreveu um texto sobre o &lt;em&gt;caráter destrutivo&lt;/em&gt;, onde afirma que uma das características desse comportamento é a confiança. Ora, os Lemingues se precipitam no abismo com a mesma estarrecedora certeza, com a qual nós, do alto de nossa arrogante racionalidade técnica, buscamos água em Marte, enquanto esgotamos (de modo predatório) os recursos naturais desse nosso saturado planeta. Nossa sociedade tem um caráter destrutivo. Nesse ponto, somos tão irracionais e suicidas quanto os Lemingues.&lt;br /&gt;Os Lemingues e seu comportamento suicida constituem uma excelente metáfora da sociedade pós-moderna.&lt;br /&gt;A questão que se impõe é a seguinte: o que fazer, diante desse desconcertante cenário?&lt;br /&gt;Penso haver encontrado, senão uma resposta, ao menos um caminho. Numa passagem memorável da &lt;em&gt;Ética a Nicômaco&lt;/em&gt;, Aristóteles enuncia algumas teses sobre a amizade, que vale a pena recordar. Resumo o conjunto dessas teses. Aristóteles afirma que há uma sensação da existência; que essa sensação é, em si mesma, doce!; que há uma equivalência entre SER e VIVER; que nessa sensação de existir, há uma sentimento, especificamente humano, chamado amizade e que esse sentimento se expressa através de um "com-sentir" (no sentido de sentir juntamente com) que um amigo experimenta em relação à existência do outro.&lt;br /&gt;É interessante observar, que a amizade, segundo Aristóteles, pode ser vista como uma potência que instala na existência, dando sentido ao ato de existir. Não é exagerado concluir, na esteira do pensamento aristotélico, que a amizade tem um significado político fundamental, porque os homens devem existir convivendo (existitindo-com) e isso quer dizer a realização e o desfrute de coisas em comum.&lt;br /&gt;O complexo de lemingue repousa, justamente, aí, na nossa incapacidade de reconhecer que a nossa humanidade é algo que não nasce conosco, mas que se constrói através de relações humanas mais estreitas e mais limpas. Mais ÉTICAS, enfim.&lt;br /&gt;Ou mudamos isso, ou o homem do futuro poderá estar muito mais perto do destino trágico dos Lemingues, do que nós.&lt;br /&gt;Os homens não precisam viver como os Lemingues!&lt;br /&gt;É possível e urgente pensarmos em ampliar o campo de significação da amizade, em nossas vidas, num mundo cada vez mais marcado pela competição e devastado pelo poder do dinheiro, se não quisermos acabar como os Lemingues: gordinhos, felizes e satisfeitos com nossas vidas, enquanto saltamos para o NADA!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-1997164352166745779?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/1997164352166745779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=1997164352166745779' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1997164352166745779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1997164352166745779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2011/07/falaram-me-de-um-animal-estranho-que-se.html' title='A POTÊNCIA POLÍTICA DA AMIZADE'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-7689299822734802699</id><published>2011-06-14T11:44:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T12:19:38.117-07:00</updated><title type='text'>O SOM E A CHUVA</title><content type='html'>Era no final de 2002. Comunicaram-me que havia uma conferência em Porto Alegre sobre doença mental e que eu fora escolhido para representar a secretaria. Dois dias de exaustivos debates sobre os arcanos da mente humana. Na minha primeira intervenção, disse que o mundo era uma mistura de circo, prisão e hospício; que todos somos loucos, afinal; critiquei a organização e acabei sendo escolhido como orador da turma. No derradeiro dia desse importante evento, fomos convidados a conhecer Gramado. Belíssima cidade! Chegamos ao anoitecer. Um frio danado. Reunimos um grupo e fomos a um bar. Era um local confortável e muito elegante. De repente, os acordes de &lt;em&gt;La Bohème&lt;/em&gt; e a voz incomparável de Charles Aznavour se derramaram sobre nós, como o óleo sobre a barba e as vestes de Aarão, para dizer como o salmista. Foi então que uma sensação indescritível me arrebatou. À janela, vi uma chuva fina que descia sobre os telhados e tudo que eu poderia saber sobre o profundo e obscuro significado da minha existência, fez-se luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito tempo depois, dei com esses versos de Fernando Pessoa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O silêncio que sai do som da chuva, espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito. Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que tenho perante este cair esfiado de água sombriamente luminosa que se destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas. E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida tem um sentido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário Quintana disse num verso que as coisas que nunca esquecemos continuam acontecendo. Aquela noite não terminou para mim. Quando eu sinto o chão escapar debaixo dos meus pés, lembro daquilo que me tocou enquanto eu contemplava, em êxtase, a chuva escorrendo pelo vidro da janela e Charles Aznavour a dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Dans les cafés voisins&lt;br /&gt;Nous étions quelques-uns&lt;br /&gt;Qui attendions la gloire&lt;br /&gt;Et bien que miséreux&lt;br /&gt;Avec le ventre creux&lt;br /&gt;Nous ne cessions d'y croire&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso continuar a crer... na glória!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-7689299822734802699?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/7689299822734802699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=7689299822734802699' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/7689299822734802699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/7689299822734802699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2011/06/o-som-e-chuva.html' title='O SOM E A CHUVA'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-804680388888113766</id><published>2011-06-10T12:53:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T06:00:18.025-07:00</updated><title type='text'>CAMÕES, O DITADOR E O CACHORRO FALANTE</title><content type='html'>O dia de hoje é consagrado a Camões e a Portugal. Camões morreu no dia 10 de junho de 1580, no mesmo ano em que Portugal passava ao domínio da Espanha – situação que duraria 60 anos -, depois que o rei, D. Sebastião, desapareceu no norte da África. É um dia dedicado à lusofonia. É dia de todos nós, falantes da bela e incomparável língua do Padre Vieira, seu Imperador, no dizer de Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;Eu tinha esquecido a efeméride. Lembrei-me dela, a propósito de uma notícia que ouvi. É que eu Soube ontem, durante o café, que um certo ditador teria estimulado seus soldados a realizarem estupros como forma de intimidar opositores. O país onde essa monstruosidade teria, supostamente ocorrido, fica, justamente, na África. A memória é assim mesmo. Não sei, ainda, se a denúncia é verdadeira. Talvez seja, talvez não. Nos dias que vivemos, está cada vez mais difícil saber, afinal, o que é verdade, no meio dessa massa de dados confusos, que os meios de comunicação despejam sobre nós. Recuso-me a acreditar na denúncia. Mas, sendo a alma humana um abismo, é perfeitamente possível e esperado que dessas profundidades possam surgir, vez por outra, atrocidades como essa. Não seria nenhuma novidade. Ao contrário do que a nossa vaidade sugere, não há muita diferença entre nós e aqueles trogloditas que deram início a essa pavorosa coleção de ruínas, como disse Walter Benjamin numa passagem magistral de suas teses sobre a história.&lt;br /&gt;E essa é toda a questão MORAL do homem: fazer essa diferença, civilizar as relações no plano da ética.&lt;br /&gt;Nesse sentido, há um comercial de televisão que narra um caso curioso. Um rapaz entra numa casa. Encontra um cachorro simpático com um bilhete. O texto pede que o bichinho seja conduzido para um banho. No interior do carro, o dono descobre que o tal cachorro fala!&lt;br /&gt;A questão filosófica que essa propaganda coloca está nas razões que o animal apresenta para o fato de nunca ter falado antes. Ele diz algo como se até então não tivesse encontrado motivos para falar conosco.&lt;br /&gt;Do exposto, concluo o seguinte: talvez, nossa dificuldade com os animais tenha origem no fato de nós ainda não termos atingido, no nível moral, a “animalidade” deles!&lt;br /&gt;Isso poderia explicar, inclusive, a estupidez de todas as ditaduras!&lt;br /&gt;O que tudo isso tem a ver com Camões, se é que tem, eu não sei. O que sei é que a poesia justifica a dor de se saber humano, mortal e condenado a viver num mundo onde o mal triunfa sempre. O que sei é que Camões é atual e absolutamente necessário para nos dar forças a continuar seguindo a "desvendar a bruma", apesar de tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-804680388888113766?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/804680388888113766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=804680388888113766' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/804680388888113766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/804680388888113766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2011/06/camoes-o-ditador-e-o-cachorro-falante.html' title='CAMÕES, O DITADOR E O CACHORRO FALANTE'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-348039010423850320</id><published>2010-09-09T18:00:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T19:00:28.591-07:00</updated><title type='text'>DEUS E SARAMAGO</title><content type='html'>Deus existe ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a pergunta. O resto é perfumaria, como certa vez ouvi de um professor; um modo de dizer que as demais indagações não importam, ou muito pouco, se comparadas a uma determinada questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pergunta pode ser mais importante do que essa? Se Deus existe, nossa alma é imortal. Se Deus não existe, nossa vida é nada. Ora, entre o infinito e o nada há uma diferença que não é insignificante e é por isso que responder a essa inquietante pergunta me parece radicalmente fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa pergunta tem me atormentado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada é capaz de me causar maior espanto, do que constatar que ela não incomode a outros, principalmente quando esses outros são pessoas inteligentes, como, por exemplo, esse escritor de quem tanto gosto, e que, infelizmente, não está mais entre nós: José Saramago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, não é que Saramago dizia que acreditar em Deus era mais "cômodo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cômodo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora,acreditar que o Universo se autoproduziu, como sugerem as teorias mais avançadas da física contemporânea, isso sim é que me parece mais cômodo, porque se Deus existe, cada ato humano é tão decisivamente grave, sob o ponto de vista da ética, que me custa muito compatibilizar essa gravidade com qualquer ideia de comodidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disso eu deduzo um argumento ontológico: a única possibilidade da ideia de Deus, é a existência de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma criatura tão má, como é o homem, não poderia "inventar" nada tão sublime. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de que o Universo se autoproduziu, para mim, é tão surpreendente como acreditar que um macaco, ao acaso, teria condições de escrever Ensaio sobre a lucidez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-348039010423850320?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/348039010423850320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=348039010423850320' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/348039010423850320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/348039010423850320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2010/09/deus-e-saramago.html' title='DEUS E SARAMAGO'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-2963490565605902779</id><published>2010-02-11T10:07:00.000-08:00</published><updated>2010-02-11T10:44:12.456-08:00</updated><title type='text'>UM NIILISMO BRASILEIRO?</title><content type='html'>Nas Memórias de um Sargento de Milícias, o mundo socialmente hierarquizado convive com uma inusitada dialética entre ordem e desordem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem do major Vidigal, quando aparece envergando parte de seu uniforme, é uma excelente metáfora dessa capacidade de tolerar e conviver com os extremos, que talvez seja uma marca da brasilidade... nosso "jeitinho" de ser-no-mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; "O major recebeu-as de rodaque de chita e tamancos, não tendo a princípio suposto o quilate da visita; apenas porém reconheceu as três, correu apressado à camarinha vizinha e envergou o mais depressa que pôde a farda; como o tempo urgia, e era uma incivilidade deixar sós as senhoras, não completou o uniforme, e voltou de novo à sala de farda, calças de enfiar, tamancos e um lenço de Alcobaça sobre o ombro, segundo seu uso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo descrito por Manuel Antônio de Almeida inexiste sentimento de culpa. Onde não existe sentimento de culpa não existe moralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma questão interessante aqui: a "brasilidade" tem uma vocação niilista?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-2963490565605902779?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/2963490565605902779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=2963490565605902779' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2963490565605902779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2963490565605902779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2010/02/um-niilismo-brasileiro.html' title='UM NIILISMO BRASILEIRO?'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-3743881519646262354</id><published>2009-09-16T06:25:00.001-07:00</published><updated>2009-09-16T08:57:17.297-07:00</updated><title type='text'>DUAS QUESTÕES ACERCA DA INFELICIDADE</title><content type='html'>O comportamento de desvio e o tema da felicidade estão intimamente relacionados. Tudo que o homem faz, ainda quando se mata, é tentando ser feliz.&lt;br /&gt; O homem pode ser feliz? Essa é uma questão terrível. Aristóteles fez da eudaimonia um tema central de sua ética, mas é necessário enfrentar esse delicado tema: a felicidade é possível?&lt;br /&gt; Duas visões sobre esse tema. A primeira é de Pascal. A segunda é de Primo Levi.&lt;br /&gt; Para Pascal a felicidade humana é impossível. Em seus pensées Pascal nos diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Como a natureza nos fez desgraçados em todos os estados, nossos desejos fantasiam um estado feliz, porque acrescentam ao estado em que estamos os prazeres do estado em que não estamos; e, quando chegamos a esses prazeres, não por isso somos felizes, porque temos outros desejos conforme o novo estado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para Pascal, portanto, é a imaginação a responsável pela incapacidade humana para a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Primo Levi é aquele magnífico autor do livro mais comovente que alguém já escreveu, sobre a maior estupidez cometida pelo homem, em toda a sua história – e no auge da modernidade: a shoah. O livro se chama É isto um homem? Nessa obra fundamental Primo Levi afirma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Porque assim é a natureza humana: as penas padecidas simultaneamente não se somam em nossa sensibilidade; ocultam-se as menores atrás das maiores, conforme uma lei de prioridades bem definida. É esse o motivo pelo qual ouve-se dizer, amiúde, na vida livre, que o homem é incontentável. Realmente, mais que da incapacidade humana para um estado de bem-estar absoluto, trata-se de conhecimento insuficiente da complexidade do estado de desgraça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Complexidade do estado de desgraça... É exatamente esse o busílis da coisa toda. Esse mundo é, essencialmente, um vale de lágrimas, como diz a oração cristã; e nesse vale profundo de dor e desassossego, a única coisa decente que se pode fazer é não contribuir para aumentar, ainda mais, o sofrimento da criatura humana. Isso já resume toda a ética. O resto é perfumaria.&lt;br /&gt; Eu só consigo pensar o papel da polícia e o tema dos direitos humanos nesses termos. Polícia existe para aliviar os aflitos; para defender o homem de outro homem, enfim. É sempre do homem que se trata. Não é do combate ao crime, que se cuida. Isso é besteira. O que se tenta enfrentar é o criminoso. O criminoso é um homem. Essa é a questão.&lt;br /&gt; O homem... Pascal também disse: “Descobri que toda a desgraça dos homens vem de uma só coisa: o não saberem estar tranquilamente em um quarto”. &lt;br /&gt; Desde aqueles tempos, quando ainda abalançávamos nos galhos das árvores, nunca paramos quietos! Somos um tipo de macaco que deu errado. Perdemos o rabo, descemos de nossa árvore e deu no que deu... E ainda vem coisa muito pior pela frente!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-3743881519646262354?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/3743881519646262354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=3743881519646262354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3743881519646262354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3743881519646262354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/09/duas-questoes-acerca-da-infelicidade.html' title='DUAS QUESTÕES ACERCA DA INFELICIDADE'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-4363703853201553508</id><published>2009-09-15T12:04:00.001-07:00</published><updated>2009-09-15T12:39:30.508-07:00</updated><title type='text'>A FALÊNCIA FUNDAMENTAL DO HOMEM</title><content type='html'>Trata-se de uma passagem do romance de Milan Kundera, A insustentável leveza do ser, uma obra extraordinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A verdadeira bondade do homem só pode se manifestar com toda a pureza e com toda a liberdade em relação àqueles que não representam nenhuma força. O verdadeiro teste moral da humanidade (o mais radical, situado num nível que escapa a nosso olhar) são as relações com aqueles que estão à nossa mercê: os animais. E foi aí que se produziu a falência fundamental do homem, tão fundamental que dela decorrem todas as outras".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de fato uma falência fundamental. O humanismo "logocêntrico" principiou pela dominação absoluta dos animais, para depois destituir o próprio homem de sua condição de humanidade. Os campos de extermínio da II guerra mundial são exemplos disso. O iluminismo nasceu com a crença de que a razão poderia construir o paraíso na terra, mas o mundo administrado - esse mundinho cretino no qual vivemos, parece bem mais com o inferno. &lt;br /&gt;E por todos os lados a miséria... Miséria material...Miséria moral... Miséria intelectual... Miséria espiritual.&lt;br /&gt;Que porcaria de mundo nós construímos! Num mundo desses, pretender reduzir a violência é quase uma utopia. É um mundo de bárbaros; construído por bárbaros, para ser habitado por bárbaros. É uma pena. Mas o Apofis vem aí e o calendário Maia está chegando ao final. Graças a Deus! Talvez, começando de novo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-4363703853201553508?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/4363703853201553508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=4363703853201553508' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4363703853201553508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4363703853201553508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/09/falencia-fundamental-do-homem.html' title='A FALÊNCIA FUNDAMENTAL DO HOMEM'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-1821979151918843536</id><published>2009-09-10T07:36:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T07:41:32.155-07:00</updated><title type='text'>O MANTRA DA DESMILITARIZAÇÃO</title><content type='html'>A desmilitarização foi aprovada pela 1ª conferência nacional de segurança pública (CONSEG), como todos devem saber. Eu estava no auditório quando a comissão organizadora proclamou o resultado. Um sujeito barbudo começou a berrar ao meu lado dizendo, entre outras tolices, que a ditadura militar finalmente havia terminado no Brasil! Uma bobagem. Fato é que a desmilitarização foi saudada pelos conferencistas excitados, com palavras de ordem contra a Polícia Militar. Lembrei-me de Konrad Adenauer. Inevitável. Adenauer foi aquele chanceler alemão – o primeiro depois da última grande guerra, célebre pela condução do processo de recuperação econômica de seu país. Esse estadista disse algo que em meio àquela verborragia, caiu de chofre sobre mim, como uma espécie de iluminação. É que para Adenauer parecia sumamente injusto que Deus tivesse limitado a inteligência humana, mas não a estupidez. &lt;br /&gt;Os franceses têm um ditado que me agrada muito: tudo compreender é tudo perdoar. A constatação de Adenauer dissipou meus rancores, de tal modo que pude reconciliar-me com o militante da democracia numa mesa de café. Emprego a palavra estupidez aqui, não no sentido da inabilidade para compreender, como pretendido por Adenauer, mas como ausência de pensamento. &lt;br /&gt;O que estou a dizer é de fácil demonstração. Se o leitor tiver a curiosidade de perguntar a alguém que se diz defensor da desmilitarização o que entende por isso, verá que essa palavra tem se transformado numa espécie de mantra. Boa parte das pessoas a emprega sem saber exatamente o que ela significa; pior, confunde modelo de organização militar, ou seja, o fato de uma organização responder a um estatuto militar, com ideologia, o que é diferente.&lt;br /&gt;Sugiro, para aqueles que se interessem verdadeiramente pelo tema e que queiram discuti-lo seriamente - o que não aconteceu na tal CONSEG, que leiam o verbete militarismo, do dicionário de política organizado por Norberto Bobbio e publicado pela Universidade de Brasília. &lt;br /&gt;Quero deixar claro que não advogo o modelo militar para a polícia, por ele mesmo; apenas entendo que a existência desse modelo entre nós, desde 1809, não representa, por si só, incompatibilidade com o regime democrático. &lt;br /&gt;Agora, advogo sim em favor da razão contra a ausência de pensamento. Defendo o debate de ideias, contra o preconceito. &lt;br /&gt;A democracia é, antes de tudo, debate qualificado de ideias, tudo que a CONSEG varreu e sepultou ao som de palavras de ordem e de vivas à democracia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-1821979151918843536?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/1821979151918843536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=1821979151918843536' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1821979151918843536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1821979151918843536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/09/o-mantra-da-desmilitarizacao.html' title='O MANTRA DA DESMILITARIZAÇÃO'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-7524299820627394792</id><published>2009-09-09T14:00:00.000-07:00</published><updated>2009-09-09T14:18:13.564-07:00</updated><title type='text'>SOBRE A CONSEG II</title><content type='html'>Carlos Drummond de Andrade tem uma passagem do poema NOSSO TEMPO (A rosa do povo), que ilustra bem essa nossa propensão para buscar a solução das questões sociais nas proclamações solenes, nos projetos mirabolantes, nas comissões, conferências e quejandos. O poema é um pouco longo, por isso não vou reproduzi-lo na íntegra. Ele é muito bonito, vale a pena conferir. &lt;br /&gt;   Diz o poeta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. &lt;br /&gt;As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se&lt;br /&gt;na pedra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Bonito, não é mesmo? Os lírios não nascem da lei... Ah, como eu gostaria de ter escrito isso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-7524299820627394792?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/7524299820627394792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=7524299820627394792' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/7524299820627394792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/7524299820627394792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/09/sobre-conseg-ii.html' title='SOBRE A CONSEG II'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-6625584722241083110</id><published>2009-09-02T13:29:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T13:57:52.155-07:00</updated><title type='text'>1 CONSEG</title><content type='html'>Refiro-me à conferência nacional de segurança pública, ocorrida entre os dias 27 e 31 de agosto do corrente. Estive delegado à conseg, na qualidade de representante dos trabalhadores de segurança pública. Pensei em escrever algo mais elaborado, que desse conta de tudo que pude ver e ouvir nesse encontro. Depois de muito refletir, a única coisa que me veio à cabeça, com força bastante para ilustrar toda minha perplexidade diante de tudo aquilo, foram as palavras com as quais o majestoso Euclides da Cunha (1866-1909) traduziu, em outro contexto, o mesmo sentimento que o meu: a desilusão. &lt;br /&gt;Euclides disse o seguinte, sobre a desilusão: "Espécie de derrota infligida às ideias e ao sentimento".&lt;br /&gt;Para mim, a conseg foi isso... e nada mais.&lt;br /&gt;Lamentável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-6625584722241083110?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/6625584722241083110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=6625584722241083110' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/6625584722241083110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/6625584722241083110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/09/1-conseg.html' title='1 CONSEG'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-6109946634929600129</id><published>2009-04-06T11:15:00.000-07:00</published><updated>2009-04-06T11:17:08.190-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Nossa época, embora fale tanto de economia, é esbanjadora: esabanja o que é mais precioso, o espírito." (Nietzsche - Aurora)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-6109946634929600129?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/6109946634929600129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=6109946634929600129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/6109946634929600129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/6109946634929600129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/04/nossa-epoca-embora-fale-tanto-de.html' title=''/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-6928768478617240306</id><published>2009-04-06T11:07:00.000-07:00</published><updated>2009-04-06T11:08:42.815-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer." (Carlos Drummond de Andrade)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-6928768478617240306?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/6928768478617240306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=6928768478617240306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/6928768478617240306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/6928768478617240306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/04/amas-noite-pelo-poder-de-aniquilamento.html' title=''/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-2053530693257215717</id><published>2009-04-06T10:58:00.001-07:00</published><updated>2009-04-06T11:04:36.235-07:00</updated><title type='text'>VERSOS ÍNTIMOS</title><content type='html'>Vês! Ninguém assistiu ao formidável &lt;br /&gt;Enterro da tua última quimera.&lt;br /&gt;Somente a Ingratidão - esta pantera -&lt;br /&gt;Foi tua companheira inseparável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acostuma-te a lama que te espera!&lt;br /&gt;O Homem, que, nesta terra miserável,&lt;br /&gt;Mora entre feras, sente inevitável&lt;br /&gt;Necessidade de também ser fera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma um fósforo. Acende teu cigarro!&lt;br /&gt;O beijo, amigo, é a vespera do escarro,&lt;br /&gt;A mão que afaga é a mesma que apedreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a alguém causa inda pena a tua chaga,&lt;br /&gt;Apedreja essa mão vil que te afaga,&lt;br /&gt;Escarra nessa boca que te beija!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Augusto dos Anjos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-2053530693257215717?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/2053530693257215717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=2053530693257215717' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2053530693257215717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2053530693257215717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/04/versos-intimos.html' title='VERSOS ÍNTIMOS'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-3438266218413280843</id><published>2009-03-31T09:06:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T09:11:11.855-07:00</updated><title type='text'>OS LUSÍADAS</title><content type='html'>"No mar tanta tormenta e tanto dano,&lt;br /&gt;Tantas vezes a morte apercebida!&lt;br /&gt;Na terra tanta guerra, tanto engano,&lt;br /&gt;Tanta necessidade aborrecida!&lt;br /&gt;Onde pode acolher-se um fraco humano,&lt;br /&gt;Onde terá segura a curta vida,&lt;br /&gt;Que não se arme e se indigne o Céu sereno&lt;br /&gt;Contra um bicho da terra tão pequeno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CANTO PRIMEIRO - 106)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-3438266218413280843?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/3438266218413280843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=3438266218413280843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3438266218413280843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3438266218413280843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/os-lusiadas.html' title='OS LUSÍADAS'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-1693965201296784966</id><published>2009-03-31T05:37:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T05:43:25.839-07:00</updated><title type='text'>O PENSAR</title><content type='html'>"Pensar suscita a indiferença geral."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É somente quando os perigos se tornam evidentes que a indiferença cessa, mas eles permanecem frequentemente escondidos, pouco perceptíveis, inerentes à empresa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pensar é sempre seguir a linha de fuga do voo da bruxa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É que não pensamos sem nos tornarmos outra coisa, algo que não pensa, um bicho, um vegetal, uma molécula, uma partícula, que reornam sobre o pensamento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pensar consiste em estender um plano de imanência que absorve a terra (ou antes a "adsorve"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Gilles Deleuze)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-1693965201296784966?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/1693965201296784966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=1693965201296784966' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1693965201296784966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1693965201296784966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/o-pensar.html' title='O PENSAR'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-5351766100563331007</id><published>2009-03-31T05:20:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T05:32:03.569-07:00</updated><title type='text'>A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO</title><content type='html'>"O espetáculo apresenta-se ao mesmo tempo como a própria sociedade, como uma parte da sociedade e como instrumento de unificação. Como parte da sociedade, ele é expressamente o setor que concentra todo olhar e toda consciência. Pelo fato de esse setor estar separado, ele é o lugar do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza é tão-somente a linguagem oficial da separação generalizada". (Tese 3)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens".(Tese4)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O caráter fundamentalmente tautológico do espetáculo decorre do simples fato de seus meios serem, ao mesmo tempo, seu fim. É o sol que nunca se põe no império da passividade moderna. Recobre toda a superfície do mundo e está indefinidamente impregnado de sua própria glória".(Tese 13)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" A sociedade que se baseia na indústria moderna não é fortuita ou superficialmente espetacular, ela é fundamentalmente espetaculaoística. No espetáculo, imagem da economia reinante, o fim não é nada, o desenrolar é tudo. O espetáculo não deseja chegar a nada que não seja ele mesmo." (Tese 14)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Do livro A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord 1931-1994)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-5351766100563331007?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/5351766100563331007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=5351766100563331007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5351766100563331007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5351766100563331007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/sociedade-do-espetaculo.html' title='A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-2923630049319078257</id><published>2009-03-31T05:13:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T05:19:15.173-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"O tempo é uma criança, criando, jogando o jogo das pedras; vigência da criança". (frg 52)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"De todas as coisas a guerra é pai, de todas as coisas é senhor; a uns monstrou deuses, a outros, homens; de uns fez escravos, de outros, livres." (frg 53)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio" (frg 91)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fragmentos do filósofo Heráclito de Éfeso)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-2923630049319078257?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/2923630049319078257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=2923630049319078257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2923630049319078257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2923630049319078257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/o-tempo-e-uma-crianca-criando-jogando-o.html' title=''/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-232288073582907687</id><published>2009-03-31T05:06:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T05:11:29.758-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço".&lt;br /&gt;( Do romance As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-232288073582907687?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/232288073582907687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=232288073582907687' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/232288073582907687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/232288073582907687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/o-inferno-dos-vivos-nao-e-algo-que-sera.html' title=''/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-5431251651533687092</id><published>2009-03-31T04:56:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T05:04:42.838-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"É ainda por isso que esta epidemia não me ensina nada senão que é preciso combatê-la a seu lado. Sei, de ciência certa, que cada um traz em si a peste, porque ninguém, não, ninguém no mundo está isento dela. Sei ainda que é preciso vigiar-se sem descanso para não se ser levado, num minuto de distração, a respirar na cara de outro e transmitir-lhe a infecção. O que é natural é o micróbio. O resto - a saúde, a integridade, a pureza, se quiser - é um efeito da vontade, de uma vontade que não deve jamais se deter. O homem direito, aquele que não infecta quase ninguém, é aquele que tem o menor número de distrações possível".&lt;br /&gt;(Do romance A Peste (1947), de Albert Camus)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-5431251651533687092?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/5431251651533687092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=5431251651533687092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5431251651533687092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5431251651533687092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/e-ainda-por-isso-que-esta-epidemia-nao.html' title=''/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-9155573737217615105</id><published>2009-03-27T05:20:00.001-07:00</published><updated>2009-03-27T05:24:14.728-07:00</updated><title type='text'>POSIÇÃO</title><content type='html'>"Faço o que posso, e posso combater.&lt;br /&gt;Um verso que resiste é um bom soldado.&lt;br /&gt;Quando a noite é maior, o céu deixa-se ver&lt;br /&gt;À pequenina luz dum pirilampo alado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Move montanhas, abre o mar imenso&lt;br /&gt;A fé que não hesita.&lt;br /&gt;Cai uma gota no terror suspenso,&lt;br /&gt;E o sal das amarguras precipita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho na trincheira, vou cantando,&lt;br /&gt;E o inimigo ouve-me de lá ...&lt;br /&gt;Ouve, e não sabe quando&lt;br /&gt;O poder do meu fogo acabará".&lt;br /&gt;(Miguel Torga)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-9155573737217615105?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/9155573737217615105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=9155573737217615105' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/9155573737217615105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/9155573737217615105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/posicao.html' title='POSIÇÃO'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-7280201050944801335</id><published>2009-03-27T05:06:00.000-07:00</published><updated>2009-03-27T05:17:26.435-07:00</updated><title type='text'>INVENTÁRIO</title><content type='html'>"E, apesar de tudo, sou ainda o Homem!&lt;br /&gt;Um bípede com fala e sentimentos.&lt;br /&gt;Ao cabo de misérias e tormentos,&lt;br /&gt;Continua&lt;br /&gt;A ser a minha imagem que flutua&lt;br /&gt;Na podridão dos charcos luarentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou eu ainda a grande maravilha&lt;br /&gt;Que se mostra no mundo.&lt;br /&gt;O negro abismo que tem lá no fundo&lt;br /&gt;Um regato a correr:&lt;br /&gt;Uma risca de céu e de frescura&lt;br /&gt;Que murmura&lt;br /&gt;A ver se alguma boca a quer beber".&lt;br /&gt;(Miguel Torga)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-7280201050944801335?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/7280201050944801335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=7280201050944801335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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tinha meus 13 ou 14 anos. Uma de minhas favoritas é Madema Baterflay. Destaco nessa peça a célebre ária Um bel di vendremo, ária que é cantada pela meiga e apaixonada Cio-cio-san, uma das mais impressionantes personagens do bel canto... de uma beleza comovente os versos de Giacosa e Illica, tão bem musicados por Puccini. Há neles algo de difícil precisão, algo que, receio, não tenha mais o tempo necessário para entender. Pois foi justamente enquanto me deliciava ao som de Puccini que minha privacidade foi interrompida de um modo lancinante: minha casa foi invadida por uma horda de bárbaros! Desde então restou em mim uma idéia que nunca me abandonou: uma tarde de domingo ensolarada, morna e preguiçosa; uma sala cheia de parentes que conversam banalidades depois do abominável almoço. Essa é a mais perfeita definição do tédio! Digo isso a propósito de um encontro de família. Nunca fui dado a encontros familiares. Desde que me entendi por gente reduzi a dimensão de minha família a minha mãe e irmão. Meus numerosos primos, tias, até mesmo os avós, que não cheguei a conhecer, me pareciam distantes, de modo que nunca suportei reuniões familiares. Para falar a verdade não suporto nenhuma reunião onde predomine o riso. Considero as pessoas alegres e toda a sorte de otimistas uns debochados. Diante da dor imensa na qual chafurda, contemplando as estrelas, esse bípede equivocado chamado homem, a única atitude que sempre me pareceu mais digna e indicada é a inação. A certa altura da reunião, dividido entre o desespero e a impotência, decidi partir. Não sabia exatamente para onde, apenas desejava que fosse para bem longe dali, longe o suficiente para esquecer aqueles rostos supostamente felizes, aqueles discursos tolos, aquelas preocupações mesquinhas. Uma vizinha, uma velha amiga de minha mãe, reclamava de dores atrozes, de suas ridículas dores, como se essas dores fossem a coisa mais importante do Universo. Não pude resistir. Tantos problemas, tantas inquietações e minha vizinha preocupada com suas dores. (O pesadelo nuclear que parecia banido e que retorna aterrorizante; o último cataclismo que devastou não sei qual cidade da Ásia; todas as patifarias que ocorrem neste país kafikiano que é o Brasil, nada disso importava mais para minha vizinha do que suas dores ridículas). Profundamente dividido entre a perplexidade e o nojo me retirei da sala. Sempre que estou triste vou ao shopping, não porque goste de lojas ou de gente reunida, mas porque no shopping há uma livraria e gosto da companhia dos livros. Eu havia acabado de ingressar no estacionamento. As lojas ainda estavam fechadas. Logo depois de estacionar o carro, no pátio quase vazio, enquanto percorria o entorno com o olhar, algo tomou conta de mim como uma possessão. Durante alguns instantes, no pátio de um shopping, tive o privilégio de tocar a vacuidade de tudo ao meu redor. (Não saí impune da experiência, porque não é possível continuar o mesmo depois que se é invadido pelo sentimento da própria miséria). A revelação da pequenez e da leveza das coisas é produtora de um profundo sofrimento, porque denuncia a nudez originária na qual estão mergulhados todos os seres; a nudez fundamental, diante da qual se revelam as evidências da vaidade. Só depois disso é que se entende a profundidade daquela passagem do Pregador: vaidade das vaidades, tudo é vaidade !!! Trata-se, portanto, de uma experiência extrema da pequenez de todas as coisas. A percepção da condição humana como a dolorosa experiência de um paradoxo - que constitui um eixo fundamental de descontentamento: a revelação de que se é demais para ser considerado nada, mas pouco demais para ser levado em conta, como dizia Pascoal. A experiência da dor se torna inseparável da lucidez, posto que “a lucidez suprema é o último grau da consciência e dá ao ser a sensação de ter esgotado o universo e de ter sobrevivido a ele” (Cioran). O conhecimento, a lucidez, torna a existência insuportável porque retira dela o manto que lhe cobre a pobreza; o que se vê, então, retirado o manto protetor é o vazio em toda a sua imensidão, imensidão que apavora, mas que, por outro lado atrai, porquanto afoga o pensamento; mas, como disse Leopardi, doce é naufragar nesses mares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-3824411339449313544?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/3824411339449313544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=3824411339449313544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3824411339449313544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3824411339449313544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/lucidez-e-desolacao.html' title='LUCIDEZ E DESOLAÇÃO'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-8084565253794690092</id><published>2009-03-25T10:47:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T10:49:01.621-07:00</updated><title type='text'>SÓ A VERDADE LIBERTA!</title><content type='html'>Logo nas primeiras páginas de Em Busca do Tempo Perdido, Proust nos conta que ao acordar, no meio da noite, as lembranças dos locais onde havia habitado vinham em seu auxílio para livrá-lo do vazio. Mas não é de Marcel Proust que quero falar, ao menos não hoje. Quero falar de uma experiência de libertação do vazio, muito parecida com aquela que Proust descreveu. Eu trabalhava no centro da cidade. Às vezes, quando eu estava chateado, eu caminhava pela avenida rio branco. Num desses dias parei num cruzamento, na esquina da Almirante Barroso, diante de um cadeirante. Era um rapaz jovem, mais ou menos 25 anos. Ele vendia CD. Não era um CD qualquer, como pude logo verificar, mas um CD de cantos de pássaros. Esse encontro ocorreu por volta de 12h, quando o centro da cidade explode num vai-e-vem frenético por conta do horário de almoço. Chamou-me a atenção aquele rapaz. Não exatamente por ele, tampouco por sua condição física, ou pelo inusitado de seu artigo. Chamou-me a atenção o seu olhar. Ele não olhava propriamente falando, ao menos não olhava para fora. Era um olhar totalmente voltado para dentro de si, perdido em regiões onde um homem, talvez, encontre aquele homem interior do qual falava santo Agostinho. O jovem parecia mergulhado numa espécie de transe místico. Lembrei-me da sentença de Platão: “Não te parece que, vendo assim adequadamente a beleza, esse homem seria o único apto a poder criar, não sombras de virtude, mas a verdadeira Virtude, uma vez que se encontra em contacto com a Verdade”. Por aquela época eu ensinava à noite num pré-vestibular comunitário. Uma experiência muito interessante. Um curso para jovens pobres da periferia onde eu mesmo morava. Minha cadeira era cultura e cidadania. Um tremendo desafio: ensinar a jovens pobres que a vida pode ter um sentido, apesar de tudo. Minhas aulas eram meio confusas. O pessoal gostava. Eu não seguia propriamente um programa definido. Era um pouco de tudo: política, religião, literatura, filosofia, assuntos do cotidiano, tudo, enfim, que fizesse aquela turma pensar. (Eu concordo com o Fernando Pessoa quando ele diz que pensar dói. Agente sabe quando está pensando quando começa a doer.) O tema eu escolhia, quase sempre na véspera das aulas. Naquele dia, um pouco antes de entrar na sala, me deu uma vontade danada de falar para os meus alunos sobre um certo “carinha que sabia das coisas”, como eles diziam. Naquele dia eu decidi apresentar-lhes William Shakespeare! Passei antes em casa e apanhei o meu volume da Aguilar. Escolhi apresentar Shakespeare para meus alunos da melhor forma que se pode fazer isso: lendo. Cheguei, como sempre, um pouco antes do horário. Minha aula começava às 21h00 da sexta-feira. Optei por aquela passagem do Otelo, quando o mouro de Veneza explica ao Doge, diante da Câmara do Conselho, como havia conquistado o amor de Desdêmona. Eu pedi a uma aluna que lesse o texto. Era uma senhora, dona de casa, mais ou menos 60 anos. Uma aluna muito querida, apesar de falar pouco e sempre sair das aulas pelo menos meia hora antes do encerramento, porque morava numa comunidade conflagrada, de tal modo que nunca, até então, havia assistido uma aula minha até o final. Naquele dia ela leu Otelo para mim e para a turma. Ela chorou!!! Imaginem só! Aquela senhora, que nunca tinha lido uma única linha de Shakespeare em toda sua vida, talvez até mesmo nunca tivesse ouvido falar nele, chorou ao terminar a passagem na qual Otelo diz: “Ela me amou pelos perigos que eu correra e eu a amei pela piedade que sentiu por eles”. &lt;br /&gt;É desnecessário dizer que eu e boa parte da turma também choramos! &lt;br /&gt;Eu fui para casa com aquilo na cabeça. O cadeirante e minha aluna. No fundo da minha alma eu sabia que entre esses dois encontros havia qualquer coisa de semelhante, alguma coisa de transcendental, mas eu não tinha a menor idéia do que poderia ser. Depois de horas e algumas doses de uísqui, entendi afinal: se a beleza é como sustentava Platão, o brilho e o esplendor da Verdade, não seria descabido dizer que tanto o cadeirante da manhã, como minha aluna, foram tocados pela beleza, e foram, ao menos por um instante de suas vidas, pessoas livres. &lt;br /&gt;Alguém disse, há muitos séculos atrás que somente a Verdade liberta. Eu fui testemunha disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-8084565253794690092?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/8084565253794690092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=8084565253794690092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/8084565253794690092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/8084565253794690092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/so-verdade-liberta.html' title='SÓ A VERDADE LIBERTA!'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-2479128206727812079</id><published>2009-03-25T10:08:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T10:11:15.341-07:00</updated><title type='text'>O APELO</title><content type='html'>Um homem precisa atravessar uma rua larga. Do outro lado existe uma construção. Ele caminha na direção de um prédio muito alto e por mais que se esforce não consegue enxergar o teto do edifício. O prédio tem paredes envidraçadas. Ele está rodeado por uma chusma de pessoas. Ele sente que há algo errado, mas não entende o que é. Ao chegar do outro lado da rua ele olha para a imagem refletida no espelho da construção e descobre que está nu. &lt;br /&gt;Em algum lugar da cidade eu vejo esse homem. Ainda é madrugada. Ele sabe que não conseguirá mais dormir. Ele se aproxima da varanda de seu apartamento e olha para os prédios vizinhos. Deve ser aproximadamente três horas. O reflexo de seu rosto lhe causa um ligeiro mal-estar. Ele pensa que talvez ainda houvesse algo a dizer; mas as coisas aconteceram muito rápido. Quando ele mais precisou das palavras elas falharam. Para muitas coisas falta nome. Do fundo da noite ele houve um apelo.&lt;br /&gt; “Se quer sair, você saia e nunca mais volte”. Ele lembra.Naquele dia ela morreu. &lt;br /&gt;“Acho que os homens não deveriam morrer ao volante de automóveis”. Ele pensa. &lt;br /&gt;O homem liga o aparelho de TV. Uma moça anuncia que os russos estão contrariados com os americanos; um carro bomba explodiu em algum lugar e matou muitos soldados, mas um animal selvagem foi visto tomando banho em alguma cidade da China.&lt;br /&gt;Ele pensa: “A questão é resistir... Existir é resistir. Sustentar o peso da hora morta...”. &lt;br /&gt;(Numa calçada, um guarda acende um cigarro. Um pouco mais adiante um menino assalta um passante. Um travesti tropeça numa pedra portuguesa. Um acidente de trânsito provoca duas vítimas, enquanto uma criança nasce em uma das muitas maternidades da cidade e uma outra morre no Instituto do câncer). &lt;br /&gt;Em algum lugar da cidade um disparo tinge de vermelho o chão da sala. O homem foi encontrado alguns dias depois... ele tinha um espanto nos olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-2479128206727812079?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/2479128206727812079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=2479128206727812079' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2479128206727812079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2479128206727812079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2009/03/o-apelo.html' title='O APELO'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-1815596669827513931</id><published>2008-06-09T09:52:00.000-07:00</published><updated>2008-06-09T10:00:40.149-07:00</updated><title type='text'>A DIGNIDADE DA VIDA, SEGUNDO THOMAS MANN</title><content type='html'>Que era, então, a vida? Era calor, o calor produzido pela instabilidade preservadora da forma; era uma febre da matéria, que acompanhava o processo de incessante decomposição e reconstituição de moléculas de albumina, insubsistentes pela complicação e pela engenhosidade de sua estrutura. Era o ser daquilo que em realidade não podia ser, daquilo que, a muito custo, mediante um esforço delicioso e aflitivo, consegue, nesse processo complexo e febril de decadência e de renovação, chegar ao equilíbrio no ponto do ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A MONTANHA MÁGICA/QUINTO CAPÍTULO - PESQUISAS)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-1815596669827513931?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/1815596669827513931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=1815596669827513931' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1815596669827513931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1815596669827513931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/06/dignidade-da-vida-segundo-thomas-mann.html' title='A DIGNIDADE DA VIDA, SEGUNDO THOMAS MANN'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-4895380360020997024</id><published>2008-06-05T12:12:00.000-07:00</published><updated>2008-06-05T12:14:54.061-07:00</updated><title type='text'>UM POEMA DE MIGUEL TORGA</title><content type='html'>CANÇÃO DO SEMEADOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terra negra da vida,&lt;br /&gt;Pouso do desespero,&lt;br /&gt;É que o poeta semeia&lt;br /&gt;Poemas de confiança.&lt;br /&gt;O poeta é uma criança&lt;br /&gt;Que devaneia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas todo o semeador&lt;br /&gt;Semeia contra o presente.&lt;br /&gt;Semeia como vidente&lt;br /&gt;A seara do futuro,&lt;br /&gt;Sem saber se o chão é duro&lt;br /&gt;E lhe recebe a semente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-4895380360020997024?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/4895380360020997024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=4895380360020997024' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4895380360020997024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4895380360020997024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/06/um-poema-de-miguel-torga.html' title='UM POEMA DE MIGUEL TORGA'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-2678596419483233669</id><published>2008-06-05T11:12:00.000-07:00</published><updated>2008-06-05T11:15:58.255-07:00</updated><title type='text'>UM POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE</title><content type='html'>O FIM DO COMEÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A PALAVRA cortada&lt;br /&gt;na primeira sílaba.&lt;br /&gt;A consoante esvanecida&lt;br /&gt;sem que a língua atingisse o alvéolo.&lt;br /&gt;O que jamais se esqueceria&lt;br /&gt;pois nem principiou a ser lembrado.&lt;br /&gt;O campo - havia, havia um campo?&lt;br /&gt;irremediavelmente murcho em sombra&lt;br /&gt;antes de imaginar-se a figura&lt;br /&gt;de um campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida não chega a ser breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A FALTA QUE AMA)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-2678596419483233669?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/2678596419483233669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=2678596419483233669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2678596419483233669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2678596419483233669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/06/um-poema-de-carlos-drummond-de-andrade.html' title='UM POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-7064389751985416529</id><published>2008-06-05T10:57:00.000-07:00</published><updated>2008-06-05T11:09:24.835-07:00</updated><title type='text'>Grande Sertão: Veredas. Algumas passagens.</title><content type='html'>De mim, conto. Como é que se pode gostar do verdadeiro no falso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente tem de sair do sertão! Mas só se sai do sertão é tomando conta dele a dentro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficar calado é que é falar dos mortos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente com a alegria é que a gente realiza bem - mesmo até as tristes ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E glose: manter firme uma opinião, na vontade do homem, em mundo transviável tão grande, é dificultoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivesse medo? O medo da confusão das coisas, no mover desses futuros, que tudo é desordem. E, enquanto houver no mundo um vivente medroso, um menino tremor, todos perigam - o contagioso. Mas, ninguém tem licença de fazer medo nos outros, ninguém tenha. O maior direito que é meu - o que quero e sobrequero -:é que ninguém tem o direito de fazer medo em mim!&lt;br /&gt; rascunho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-7064389751985416529?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/7064389751985416529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=7064389751985416529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/7064389751985416529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/7064389751985416529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/06/grande-serto-veredas-algumas-passagens.html' title='Grande Sertão: Veredas. Algumas passagens.'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-2714562213645732830</id><published>2008-06-02T10:16:00.000-07:00</published><updated>2008-06-02T10:27:01.506-07:00</updated><title type='text'>Trechos de Grande Sertão: Veredas</title><content type='html'>Diadorim é a minha neblina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é negócio muito perigoso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o amor não é uma espécie de comparação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desespero quieto às vezes é o melhor remédio que há. Que alarga o mundo e põe a criatura solta. Medo agarra a gente é pelo enraizado. Fui indo. De repente, de repente, tomei em mim o gole de um pensamento - estralo de ouro: pedrinha de ouro. E conheci o que é socorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder. O que induz a gente para más ações estranhas, é que a gente está pertinho do que é nosso, por direito, e não sabe, não sabe, não sabe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-2714562213645732830?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/2714562213645732830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=2714562213645732830' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2714562213645732830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2714562213645732830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/06/trechos-de-grande-serto-veredas.html' title='Trechos de Grande Sertão: Veredas'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-4786386079925869335</id><published>2008-04-04T09:11:00.000-07:00</published><updated>2008-04-04T09:21:58.082-07:00</updated><title type='text'>A CANÇÃO DO POLICIAL MILITAR E A ÉTICA DA CORDIALIDADE.</title><content type='html'>Desde Sócrates a razão tem sido considerada, quase que exclusivamente, o único acesso válido ao conhecimento. Apenas o uso da razão pura, para usarmos uma expressão kantiana, poderia assegurar aos homens um caminho para a “maioridade”. Mas essa via é perigosa. É perigosa porque racionaliza o mundo, e, consequentemente, a relação do homem com o mundo. Nunca é demais lembrar que dizer racionalizar é dizer separar, o que significa, entre outras coisas, cindir razão e emoção.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Essa objetividade, se por um lado nos levou à lua, por outro lado tem transformado a história humana em um curioso misto de “banalidade e apocalipse”, como dizia o filósofo romeno de expressão francesa Emil Cioran.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema da canção do policial militar propõe uma ética que equilibra razão e sensibilidade, fundamentando o agir do ente na gratidão que somente a solidariedade pode construir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, o poema da canção do policial militar reconhece uma natureza paradoxal da vida humana em sociedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é, em certa medida, recusar os outros. Para que os homens se aceitem é preciso que aprendam a renunciar. A princípio, cada homem somente reconhece a liberdade para si mesmo, daí porque a democracia e o liberalismo são coisas tão precárias e tão difíceis de construir. A canção do policial militar reconhece isso, e por conta disso afirma a singularidade da missão da polícia ostensiva, como algo que nem todos podem entender.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ao afirmar essa verdade estranha e perturbadora, que somente a poesia poderia revelar assim de modo tão imediato, o poeta quer nos fazer pensar na renúncia como condição da vida em sociedade e do papel que o ente policial tem em educar o cidadão para a renúncia, porque cumprir a lei é renunciar a uma tendência de expansão da própria liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atividade policial deve ter esse caráter de educar para a renúncia!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Uma análise filosófico-existencial do poema da canção do policial militar abre a compreensão do fazer polícia, para uma dimensão metafísica, coisa que a leitura sociológica jamais conseguiria, com esse grau de profundidade.Desse modo, a poesia somente diz o que nunca poderá estar alheio ao homem, porque ser homem não é apenas ser racional, mas também se assombrar diante do mundo e das múltiplas faces da verdade que se encontra em cada esquina, como dizem os versos do poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas esse “outro mundo”, como acontecimento, pode garantir densidade aos atos humanos, como sugere a canção do policial militar em sua dialética do esquecimento. &lt;br /&gt;Duas forças atuam juntas em cada fazer humano: a memória e o esquecimento. O poeta reconhece isso. Nós todos cantamos essa evidência, sem muitas vezes atentarmos para a profundidade do que é dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo nos primeiros versos da canção, o poeta nos revela algo difícil e terrível: o homem está irremediavelmente separado de seu passado. Cada ato humano, seja ele qual for, envolve, ao mesmo tempo, o esquecimento que apaga e a memória que transforma. Aqui temos uma verdade demolidora de muitas verdades, de muitas certezas. É por isso que o poeta afirma: “em cada fato esquecido, uma certeza nos fará lembrar”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ou seja, o poeta diz que para muito além daquelas verdades incontestáveis da fé, do dever, da moral e dos bons costumes, estende-se um espaço infinito, o espaço do inventado, do deformado pela dialética do esquecimento. O poeta nos ensina, por extensão, que esse espaço se estabelece inexorável, e, diante disso, nenhum valor pode pretender condição de validade, se puder significar a ampliação do sofrimento humano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O poema reconhece o valor na esfera da gratidão, o que significa dizer que a ética da canção do policial militar é uma ética da cordialidade, que estimula ações construídas não em referência a códigos rígidos e imutáveis, mas que está fundada em valores demonstrados nos encontros e nos caminhos que o ente descobre debaixo do céu, como dizem os mesmos versos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-4786386079925869335?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/4786386079925869335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=4786386079925869335' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4786386079925869335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4786386079925869335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/04/cano-do-policial-militar-e-tica-da.html' title='A CANÇÃO DO POLICIAL MILITAR E A ÉTICA DA CORDIALIDADE.'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-7314059122496000123</id><published>2008-04-03T08:03:00.000-07:00</published><updated>2008-04-03T08:10:37.485-07:00</updated><title type='text'>RIOBALDO E A CANÇÃO DE SIRUIZ - ÉTICA E ESTÉTICA EM GRANDE SERTÃO: VEREDAS</title><content type='html'>A literatura brasileira tem na figura do jagunço-guerreiro Riobaldo, protagonista narrador de Grande Sertão: Veredas, um momento de encontro com a verdade. Durante o período no qual o herói viveu com seu padrinho Selorico Mendes na fazenda São Gregório, Riobaldo viveu momentos inesquecíveis. Um desses momentos ocorreu logo após o encontro com o bando de Joca Ramiro e consistiu numa experiência estética de intensidade tamanha que o herói irá exclamar, muito tempo depois, aquilo molhou minha idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não queria virar e espiar, achassem que eu era abelhudo. Mas, agora, eles conversavam, alguns riam, diziam graças. Presumi que estavam muito contentes de ganhar o repouso de horas, pois tinham navegado na sela a noite toda. Um falou mais alto, aquilo era bonito e sem tino – “Siruiz, cadê a moça virgem?. Largamos a estrada, no capim molhado meus pés se lavavam. Algum, aquele Siruiz, cantou, palavras diversas, para mim a toada toda estranha:&lt;br /&gt;Urubu é vila alta,&lt;br /&gt;Mais idosa do sertão:&lt;br /&gt;Padroeira, minha vida –&lt;br /&gt;Vim de lá, volto mais não...&lt;br /&gt;Vim de lá, volto mais não?...&lt;br /&gt;Corro os dias nesses verdes,&lt;br /&gt;Buriti – água azulada,&lt;br /&gt;Carnaúba – sal do chão...&lt;br /&gt;Remanso de rio largo,&lt;br /&gt;Viola da solidão:&lt;br /&gt;Quando vou p’ra dar batalha,&lt;br /&gt;Convido meu coração..."&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A canção de Siruiz marca uma descoberta de Riobaldo, a sua verdade, que para ele reinou, e continuou a reinar para o resto da vida, no meio de uma madrugada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não estou caçando desculpa para meus errados, não, senhor reflita. O que me agradava era recordar aquela cantiga, estúrdia, que reinou para mim no meio da madrugada, ah, sim. Simples digo ao senhor: aquilo molhou minha idéia. Aire, me adoçou tanto, que dei para inventar, de espírito, versos naquela qualidade. Fiz muitos, montão. Eu mesmo por mim não cantava, porque nunca tive entôo de voz, e meus beiços não dão para saber assoviar. Mas reproduzia para as pessoas, e todo o mundo admirava, muito recitados repetidos. Agora, tiro sua atenção para um ponto: e ouvindo o senhor concordará com o que, por mesmo eu não saber, não digo. Pois foi – que eu escrevi os outros versos, que eu achava, dos verdadeiros assuntos, meus e meus, todos sentidos por mim, de minha saudade e tristezas. Então? Mas esses, que na ocasião prezei, estão goros, remidos, em mim bem morreram, não deram cinza. Não me lembro de nenhum deles, nenhum. O que eu guardo no giro da memória é aquela madrugada dobrada inteira: os cavaleiros no sombrio amontoados, feito bichos e árvores, o refinfim do orvalho, a estrela-d’alva, os grilinhos do campo, o pisar dos cavalos e a canção de Siruiz. Algum significado tem?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos destacar uma pequena frase dessa reflexão de Riobaldo, e nela deter nossa atenção. A frase é a seguinte: Simples digo ao senhor: aquilo molhou minha idéia. &lt;br /&gt;O que pode ter significado para Riobaldo essa experiência que se revelou tão fundamental em sua vida e que ele identificou como um molhar a idéia?&lt;br /&gt;A partir da emoção estética provocada pelos versos da canção de Siruiz, Riobaldo torna-se um poeta. Daquele momento mágico, em diante, a relação de Riobaldo com o mundo não seria mais a mesma. Tanto é assim que as lembranças do herói passam a ficar afetadas pelo seu novo modo de ver o mundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aí pensei no São Gregório? A bem, no São Gregório, não; mas peguei saudade dos passarinhos de lá, do poço no córrego, do batido do monjolo dia e noite, da cozinha grande com fornalha acesa, dos cômodos sombrios da casa, dos currais adiante, da varanda de ver nuvens."&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Fazenda já não é mais apenas o São Gregório, mas os passarinhos, os córregos e as nuven. A relação do Herói já não é mais com a fazenda, em si, mas com todo o entorno, que também é a Fazenda. Graças aos versos de Siruiz, Riobaldo descobriu a mesma verdade que Ortega y Gasset em suas meditações sobre D. Quixote: "eu sou eu e minha circunstância, e se não salvo a ela não salvo a mim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse modo de refletir que leva à descoberta da profundidade de tudo aquilo que nos rodeia é um tipo de pensamento que Heidegger chamou de meditativo, em oposição ao pensamento do cálculo que não visa, senão o conceito e por isso não se demora nas coisas, no sentido de um pensamento meditativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Assim, há dois tipos de pensamento cada qual justificado e necessário a seu modo: pensamento calculativo e pensamento meditativo. Quando falamos que o homem está em fuga do pensamento, temos em vista o meditar. No entanto, replica-se que a pura meditação não percebe estar flutuando acima da realidade. Ela não tem mais contato com o solo. Ela não serve para lidar com assuntos cotidianos. Ela é improdutiva para a condução de afazeres práticos". (HEIDEGGER)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heidegger nos informa, então, que esse pensamento, que estamos identificando com o tipo de reflexão empreendida por Riobaldo não “serve” para nada; mas, se não “serve” para coisa alguma, por que insistimos em denominar Riobaldo como um herói, se de um herói esperamos ações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendemos que um homem é herói não porque realize atos colossais, mas porque seus atos são virtuosos. São ações virtuosas que identificam o herói, na tradição judaico-cristã da qual somos legatários. Mas, não é contraditório que um tipo de ação que flutue acima da realidade, como sustenta Heidegger, possa informar as ações virtuosas de um herói?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondemos que não. Acreditamos que esse tipo de pensamento meditativo, que Heidegger sustenta contra a opinião de inutilidade atribuída pelo senso comum, seja a condição da própria virtude heróica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão aqui é a seguinte: quando o senso comum costuma dizer que o pensamento meditativo, aquele que se demora sobre as coisas, não serve para nada, ele quer dizer, na verdade, que essa experiência é tal que se mostra como uma prática sem um interesse que possa estar relacionado a algo específico, um tipo de deleite desinteressado ao qual o espírito humano se permite, e que encontra justificação em si mesmo e não em algum objetivo que possa ser medido. É o tipo de prática que o pensamento científico, comprometido com resultados mensuráveis, abomina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cientista é o homem do cálculo e da medida. Todo o sucesso ou fracasso do homem comprometido com o saber “útil” pode ser medido, e por isso, porque esse saber tem resultados concretos, esse tipo de conhecimento costuma ser valorizado pelo senso comum como mais precioso, ou útil.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O filósofo, ao contrário, é identificado pelo senso comum como o homem que se consome em quimeras, e por isso sua especulação é tida como inservível, porque não tem interesse em nada fora dele mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento filosófico tem seu interesse nele mesmo, no diálogo silencioso da alma consigo mesma, como disse Platão, e nesse interesse ele permanece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-7314059122496000123?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/7314059122496000123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=7314059122496000123' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/7314059122496000123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/7314059122496000123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/04/riobaldo-e-cano-de-siruiz-tica-e.html' title='RIOBALDO E A CANÇÃO DE SIRUIZ - ÉTICA E ESTÉTICA EM GRANDE SERTÃO: VEREDAS'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-4810100661977022794</id><published>2008-03-28T10:10:00.000-07:00</published><updated>2008-03-28T10:43:08.280-07:00</updated><title type='text'>ÉTICA E PÓS-MODERNIDADE</title><content type='html'>O desempenho da atividade de polícia não é incompatível com a organização administrativa militar, mas com o militarismo enquanto ideologia. Essa ideologia está baseada na idéia de supremacia do mundo militar sobre o civil, e constitui uma exacerbação do ideário belicoso do etos guerreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O guerreiro é, por definição, treinado para o enfrentamento da situação limite da guerra. Ora, essa condição existencial forma um tipo de mentalidade necessariamente voltada para uma consideração pessimista da natureza humana, o que leva esse tipo de profissional ao isolamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A adoção de uma interpretação unívoca dos princípios da hierarquia e da disciplina, desconsiderando as diferenças entre militares federais e policiais militares, pode contribuir para a degeneração do ideário militar, inerente à forma burocrático-militar, na cultura militarista. Assim sendo, o regulamento disciplinar deveria respeitar essas diferenças ontológicas, procurando reforçar, no discurso do dever (policial militar), nem tanto a "ética do sacrifício", mas a "ética do compromisso e da responsabilidade humana". Deve ficar claro que o compromisso do policial militar, o dever supremo que o constitui como guardião da cidade, é a defesa do homem contra o sofrimento causado pelo próprio homem. Essa noção de dever deve ficar clara ao ponto de ser considerada no planejamento das ações e na avaliação dos resultados das operações policiais. Nenhuma atuação policial pode ser considerada exitosa se causou dor e sofrimento a um ser humano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Nenhum planejamento operacional pode desconsiderar as dimensões humanas da intervenção policial!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Deve ser proscrito do discurso e do imaginário policial militar, expressões como remédio amargo; efeitos colaterais e todas as outras imagens que associem o sacrifício de vidas humanas a um tipo de “mal necessário”, no processo de enfrentamento da criminalidade. Deve ficar claro no imaginário policial militar que o crime não é uma doença, e muito menos a polícia é remédio para o que quer que seja!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Deve ficar claro, isto sim, que a Polícia Militar é uma instituição humana que tem um dever, um único dever pelo qual vale a pena morrer: defender o humano das ameaças humanas!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A concretização dos princípios da hierarquia e da disciplina, por outro lado, deve levar em consideração o mundo da vida, onde se move e onde acontece em sua verdade, o ente polícia militar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O cenário onde o ente se movimenta, por sua vez, tem sido marcado pelo fim das grandes narrativas míticas da modernidade, como o nacionalismo, o Estado e o progresso. O fim das utopias não significa, porém, o esgotamento do absoluto moral, mas, tão-somente, uma nova retórica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Com isso queremos sustentar que não estamos, ao contrário do que se supõe, numa fase “amoralista” da história, mas na concretização do ideal humanista. Se, por um lado, o discurso heróico, centrado na idéia do sacrifício, parece deslegitimado pela cultura pós-moderna (?), por outro lado, a democracia liberal tem acenado para um novo absoluto: os direitos do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  A época atual é dita pós-heróica, justamente porque, enquanto o herói procurava enfrentar o mal, na figura mítica do caos, a era pós-moderna tenta, paradoxalmente, organizar o caos, a partir dos direitos de afirmação da subjetividade humana como absoluto universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O ideário ético-moral do policial militar está centrado no culto e na afirmação do herói e na noção do sacrifico em nome do dever, como demonstra o estribilho da canção do policial militar: “ser policial é, sobretudo uma razão de ser. É enfrentar a morte, mostrar-se um forte no que acontecer”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Diante disso, e considerando as novas tendências da retórica moral, é urgente que se compreenda que a era "pós-heróica" (Gilles Lipovetsky) não significa, ainda que isso constitua um paradoxo, o fim do ideal heróico, mas uma nova leitura da figura do herói. Nesse contexto, uma hermenêutica dos versos da canção do policial militar nos ajudará a perceber que o poema nos coloca diante desse novo imperativo ético. Não se trata mais do sacrifício diante de qualquer dever e a qualquer custo, mais de um dever que se justifique diante de um absoluto com pretensões de validade universal: a dignidade humana. Não se trata mais do herói das tragédias gregas, personagem fundada, basicamente, no ideal do sacrifico, mas de um herói que se afirma pela responsabilidade diante do caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O herói grego tinha o dever de arrostar o perigo, representado pelo caos, pela ausência de ordem. O herói pós-moderno deve enfrentar o individualismo irresponsável dos tempos líquidos. A ética do herói da modernidade pós-heróica é a ética da responsabilidade diante do humano.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  Não se trata mais de medir o desempenho do herói, através de narrativas que sinalizem para grandes façanha; o "herói pós-moderno", não é medido pela "grandiosidade" de suas ações! O heroísmo de nossas condutas deve ser determinado pelo potencial de solidariedade humana de nossos atos, como, aliás, retrata o poema da canção do policial militar, em versos admiráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         “Em cada pessoa encontrada, mais um amigo para defender. Em cada ação realizada, um coração pronto a agradecer. Em cada ideal alcançado, uma esperança para outras missões. Em cada exemplo deixado, mais um gesto inscrito em nossas tradições”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-4810100661977022794?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/4810100661977022794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=4810100661977022794' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4810100661977022794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4810100661977022794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/03/tica-e-ps-modernidade.html' title='ÉTICA E PÓS-MODERNIDADE'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-2853878340234417303</id><published>2008-03-26T09:01:00.000-07:00</published><updated>2008-03-26T09:08:37.907-07:00</updated><title type='text'>POR QUE BEETHOVEN NÃO ESCREVEU UM TERCEIRO MOVIMENTO PARA A SONATA OPUS 111?</title><content type='html'>Thomas Mann, no Dr. Fausto, em capítulo de extraordinária beleza, quando descreve uma palestra do intrigante Kretzchmar sobre o tema: Por que Beethoven não escreveu um terceiro movimento da Sonata para piano opus 111?, afirma que os momentos finais do imenso 2º movimento são &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"como uma carícia dolorosamente amorosa, que passa pelos cabelos, pela face; um olhar quieto, intenso, que se aprofunda nos olhos do outro, pela última vez". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclui o romancista que um reinício, depois daquele adeus, seria impossível, afinal, sobre aquilo de que não se pode falar deve-se calar (Wittgenstein-Tratactus Logico-Philosophicys 7).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A demanda expansionista do desenvolvimento, operada por Beethoven, é interpretada por Adorno como um processo de deslocamento do sujeito em relação à linguagem constituída pela tradição clássica, porque a identificação desse sujeito passa a operar não mais em função de um tema acabado, mas com um tema em estado de transformação. O caminho aberto por Beethoven fluiu, naturalmente, para a experiência atonal, passando pelo acromatismo e daí para a proposta teórica do serialismo, magistralmente formulada nos anos vinte por Arnould Schoenberg (1874-1951).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Schoenberg inicia levando ao extremo o cromatismo (do grego chroma, “cor”) Wagneriano (Richard Wagner 1813-1883), influência recebida dos intensos estudos de Tristão e Isolda. Rompe com a tonalidade no último movimento do quarteto de cordas nº. 2, obra de 1908, que inclui uma deliciosa voz de soprano no último movimento que principia anunciando profeticamente: "sinto o ar de outro planeta ... dissolvo-me em sons..” &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ao atonalismo, seguiu-se a fase dodecafônica, que consiste, em síntese, numa técnica onde o compositor ordena os doze semitons da escala cromática segundo uma ordem de sua escolha, formando uma seqüência de notas, a série fundamental, na qual toda a composição está baseada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A série dodecafônica recusa a repetição, fugindo à recorrência melódica, harmônica e rítmica através de uma organização simultânea de todos os materiais sonoros de natureza polifônica e descentrada. Não há mais tom maior ou menor. Cada nota mantém-se, rigorosamente, presa às demais, impedida de ressurgir antes que toda a série tenha aparecido também. O objetivo do serialismo é retardar o maior tempo possível o retorno de um som já escutado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No rigor da proposta teórica de Schoenberg Adorno identifica uma tentativa de resistência do pensamento como negação. A recusa de um centro de gravidade que se repete é a recusa da síncope enquanto alternância de um padrão cadenciado. Render-se ao cômodo é “possibilitar a diversão como forma de esquecimento da dor, mesmo onde ela se mostra às escâncaras”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A nova música, através da dissonância, denuncia, portanto, a harmonia existente. Denuncia, inclusive, sua própria incapacidade de se constituir enquanto crítica, porque, ela mesma, profundamente imersa na estrutura de produção.&lt;br /&gt;Para se erigir com ares de alguma validade crítica, a obra de arte deve guardar uma distância tal do social que quanto mais subversiva ela se torna, tanto mais despropositada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Adorno “só o pensamento que se faz violência a si mesmo é suficientemente duro para destruir mitos”. A obra de arte deve, portanto, funcionar contra si mesma para adquirir coerência. Para denunciar deve guardar uma distância da sociedade.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Tanto Adorno como Thomas Mann concordam em que a Arte apesar de recusar a sociedade existente, não tem como fugir da internalização de suas contradições. No caso de Thomas Mann o músico radical, sinônimo do progresso, desenvolve sua tragédia fáustica enquanto "sobre a Alemanha desencadeia-se a catástrofe. Nos escombros das cidades, os ratos cevam-se de cadáveres. O trovão dos canhões Russos estrondeia em direção à Berlim..." (Dr. Fausto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Adorno, contudo, a ambivalência entre o progressivo e o regressivo se dá no âmbito de uma concepção teórica da qual resulta “que na Música absolutamente não é necessário que se ouça tudo”, posição que será glosada, no Fausto de Thomas Mann, na seguinte objeção formulada pelo humanista Serenus Zeitblon, o protagonista-narrador desse romance fundamental:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“quando imagino o resultado, parece-me que o decurso invariável de tal série de intervalos, por mais alternante e ritmada que fosse sua composição, produziria inevitavelmente um triste empobrecimento e uma estagnação da música”. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Adorno escreve, no belo ensaio que dedicou à memória de Schoenberg, morto um ano antes, o seguinte: a música emancipada suspeita de todo som real enquanto tal. A salvação da música, segundo Adorno, está em postular cada som como tendência para o silêncio, aura que atingiu culminâncias na produção de Anton Von Webern (1883-1945) e que teve início com as transformações introduzidas por Schoenberg em seus scherzos que vão reduzindo gradualmente a massa sonora até o ponto extremo da sublimação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma música que tende para o silêncio, num certo sentido, é uma música que fracassa. Se, como sustenta Adorno, é forçoso que o pensamento pense contra si mesmo, a obra de arte como crítica de sua época deve fracassar nesse desiderato, para, dialeticamente, tornar possível uma crítica autêntica.&lt;br /&gt;Quanto mais a obra de arte silencia, mais ela se capacita a falar sobre sua época.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A rigidez da nova música expressa na concepção teórica onde o elemento musical, o som fundamental, está predeterminado pelo todo (os doze tons), representa o modo como a subjetividade se transforma em objetividade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sujeita, assim, à reificação, a música não escapa totalmente ao caráter fetichista da mercadoria. Adorno, no texto O fetichismo na música e a regressão da audição, citando Marx, afirma: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O mistério da forma mercadoria consiste simplesmente no seguinte: ela devolve aos homens, como um espelho, os caracteres sociais do seu próprio trabalho como caracteres dos próprios produtos do trabalho, como propriedades naturais e sociais dessas coisas; em conseqüência, a forma mercadoria reflete também a relação social dos produtores com o trabalho global como uma relação social de objetos existentes fora deles". &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É preciso, segundo Adorno, racionalizar a composição levando às últimas conseqüências negadoras o desenvolvimento implicado na música européia. Adorno, numa é demais lembrar, é um pensador dialético. Manter-se fiel a grandiosa tradição tonal Alemã para Adorno, significa liberar a dissonância, exibindo o caráter de falsa consciência da consonância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma interessante passagem no Dr. Fausto que ilustra a idéia, quando Thomas Mann descreve um trecho da obra coral Apocalipsis, de Leverkhun: &lt;br /&gt;a dissonância expressa nela tudo quanto existe de sublime, sério, piedoso e espiritual, ao passo que o harmonioso, o tonal, ficam reservados a mundo do inferno, que, neste contexto, é, portanto, o mundo da banalidade e do lugar-comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo do músico radical, que no romance Dr. Fausto de Mann, como se disse, é personificado por Adrian Leverhuhn, é o de obter a integração completa de todas as dimensões musicais, na sua indiferença mútua, em virtude de uma organização rigorosa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para Adorno, Schoenberg leva às últimas conseqüências a proposta da tonalidade como drama, porque teve a coragem de arrostar a impossibilidade de compor música consoladora diante de uma sociedade cujo processo de coisificação apresenta-se como um dissolvente de toda a harmonia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O mérito de Schoenberg, de acordo com a Filosofia da Nova Música, está no sentido profundamente dialético da sua produção musical. Não se trata, propriamente, do método dodecafônico em si mesmo, mas no fato de Schoenberg haver encontrado expressão através de uma linguagem que é, contraditoriamente, recusa e reflexo da ordem existente. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na Filosofia da Nova Música, Adorno opõe Schoenberg, identificado com o progresso, a Stravinsk, visto como restauração. Mas, se por um lado o desenvolvimento em Stravinsk parecerá a Adorno regressão, mera repetição, o progresso daquele conduz a uma situação extrema onde no progresso não se progride.   &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Pretendendo que Arte e filosofia expressem o inefável, Adorno, talvez, aproxime-se, ainda aqui, de Thomas Mann. O autor do Dr. Fausto, em certa passagem diz da música o que muito apropriadamente se poderia dizer da filosofia. A música, dizia Thomas Mann, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"se dirige ao ouvido, mas faz isso apenas relativamente, na medida em que o ouvido, como os demais sentidos, for órgão mediador e recipiente espiritual. Talvez seja o mais íntimo desejo da Música não ser ouvida, nem tampouco ser vista ou sentida, e sim, se possível, ser percebida e enxergada unicamente num além dos sentidos e até da alma, numa região espiritualmente pura".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-2853878340234417303?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/2853878340234417303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=2853878340234417303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2853878340234417303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2853878340234417303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/03/por-que-beethoven-no-escreveu-um.html' title='POR QUE BEETHOVEN NÃO ESCREVEU UM TERCEIRO MOVIMENTO PARA A SONATA OPUS 111?'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-8607762345213179505</id><published>2008-03-24T10:04:00.000-07:00</published><updated>2008-03-24T10:10:10.849-07:00</updated><title type='text'>A 3ª SINFONIA DE BEETHOVEN E A NATUREZA PARADOXAL DA MÚSICA</title><content type='html'>A música serve para nos revelar aquilo que somos: obras de arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das experiências possíveis ao homem apenas duas podem atingir esse desiderato: a fé religiosa, ou a experiência estética. A razão, em que pese pretender, é incapaz de operar nesse registro. A emoção estética tem a mesma natureza da fé religiosa, por isso a música sempre esteve relacionada aos cultos religiosos. É por isso, ainda, que no ato de falar à alma a música suspende, arrebata e por isso educa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fique claro, neste passo, que por educação entendemos algo além da transmissão de conhecimentos úteis. Pretendemos com o termo designar uma conversão, no sentido platônico do termo, uma mudança de atitude profunda diante da vida e de si mesmo. &lt;br /&gt;De todas as formas de arte, contudo, a música é a única que não tem relação necessária com proposições, tampouco com o ser, mas com o devir. Uma música só é música completa, quando acaba, exatamente na última nota. A música tem a ver com o tornar-se, ela é porque tende para o não-ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos a terceira sinfonia em mi bemol maior de Beethoven, por exemplo, a Eroica. Pois bem, há nessa obra algo que sintetiza a natureza paradoxal da música. A obra inicia numa coloração tremendamente majestosa, anunciando, desde os primeiros acordes, seu caráter heróico. Logo após, temos as profundezas abissais do 2º movimento, a belíssima marcha fúnebre, que vai iniciando muito lenta e muito triste, e, progressivamente, vai se abrindo para as esperanças luminosas dos terceiro e quarto movimentos. É como se esse 2º movimento, encravado entre dois extremos radiosos, pretendesse lembrar à criatura exultante do movimento imediatamente anterior, sua patética condição de mortal, para logo depois, dialeticamente, restituí-lo às culminâncias do sublime!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas a música é capaz de produzir essa experiência que vai da desolação à felicidade. Somente a música consegue reunir numa massa harmoniosa esses contrários irredutíveis: ordem e caos. Somente a música é capaz de conciliar esses extremos absolutos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A terceira sinfonia de Beethoven tem esse caráter paradoxal por reunir essas idéias, em si mesmas contraditórias, mas que, apesar disso, se harmonizam num todo grandioso. É também heróica porque cumpre aquele ideal do herói trágico grego: o seu aniquilamento é o seu triunfo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música é paradoxal, porque ela pretende dizer o indizível, e por isso, ainda, é que se costuma dizer que a música é uma revelação, muito maior que qualquer filosofia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por isso Platão a considerava uma forma de educação superior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-8607762345213179505?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/8607762345213179505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=8607762345213179505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/8607762345213179505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/8607762345213179505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/03/3-sinfonia-de-beethoven-e-natureza.html' title='A 3ª SINFONIA DE BEETHOVEN E A NATUREZA PARADOXAL DA MÚSICA'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-1983385533162431370</id><published>2008-03-12T11:30:00.000-07:00</published><updated>2008-03-12T11:32:47.833-07:00</updated><title type='text'>GUIMARÃES ROSA E A QUESTÃO DA EXISTÊNCIA DE DEUS EM GRANDE SERTÃO: VEREDAS</title><content type='html'>DEUS. Deus é a grande interrogação humana! Deus é a única questão fundamental... o resto é perfumaria! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus existe, ou não? Essa é a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riobaldo diz o seguinte em Grande Sertão: Veredas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"... Arre, nem posso figurar minha idéia nisso! Refiro ao senhor: um outro doutor, doutor rapaz, que explorava as pedras turmalinas no vale do Araçuaí, discorreu me dizendo que a vida da gente encarna e reencarna, por progresso próprio, mas que Deus não há. Estremeço. Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar - é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque exite dor. E a vida do homem está presa encantonada - erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços. Dor não dói até em criancinhas e bichos, e nos doidos - não dói sem precisar de se ter razão nem conhecimento? E as pessoas não nascem sempre? Ah, medo tenho não é de ver morte, mas de ver nascimento. Medo mistério".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-1983385533162431370?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/1983385533162431370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=1983385533162431370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1983385533162431370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/1983385533162431370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/03/guimares-rosa-e-questo-da-existncia-de.html' title='GUIMARÃES ROSA E A QUESTÃO DA EXISTÊNCIA DE DEUS EM GRANDE SERTÃO: VEREDAS'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-5209013398406857972</id><published>2008-03-06T04:00:00.000-08:00</published><updated>2008-03-06T04:07:53.508-08:00</updated><title type='text'>SER POLICIAL É SOBRETUDO UMA QUESTÃO DO SER</title><content type='html'>Martin Heidegger (1889-1976) sustenta que a existência humana tem um traço essencialmente poético. Esse aspecto de nossa existência, contudo, não é dado, mas conquistado, sendo que esse acontecer do âmbito poético-humano é um espaço reservado aos que possuem o caráter da poesia. Heidegger ensina que a poesia instaura uma nova relação do homem para com os outros entes, porque ela funda um novo horizonte de colocação da questão do Ser.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Essa noção heideggeriana da poesia nos permite vislumbrar a canção do policial militar como um fazer poético que pretende recolocar, permanentemente, a questão do ser policial, como se, cada vez que um integrante dessa corporação tivesse que repetir seus versos, fosse convocado pelo pensamento para se reposicionar diante de sua própria verdade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        A canção do policial militar não é, tão-somente, um dizer que pretende definir o ente polícia militar, para aqueles que ouvem os versos. É um chamamento que almeja aquilo que Heidegger denomina acontecimento fundamental: o encontro do homem com a sua verdade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Nesse sentido a canção do policial militar é a expressão de um pensamento essencialmente ético-poético, como são os hinos de uma religião. &lt;br /&gt;Hinos religiosos e hinos militares não pretendem, apenas, descrever noções dos etos respectivos, mas propiciar encontros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Do mesmo modo que um hino religioso abre um espaço que propicia a experiência do crente com a Verdade, uma canção militar pretende abrir um horizonte de compreensão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Não se trata aqui de um chamamento para o confronto bélico; mas de uma convocação para um conflito que opera no nível interno de cada ente. É na verdade uma convocação para que o homem, naquele preciso instante se lembre de quem é, e das responsabilidades éticas por suas escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Os hinos militares não incitam para a guerra, a não ser indiretamente; não instauram o etos guerreiro, da mesma forma que os hinos religiosos não instauram o Sagrado, que desde sempre envolve o homem, mas a poesia propicia um espaço onde o homem pode confrontar-se com o próprio caminho, o que, eventualmente, pode também significar a obrigação de superar alguns fantasmas, como o medo por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        É preciso destacar que essas canções, sejam hinos militares ou religiosos, têm essa capacidade de instaurar horizontes de compreensão porque são poesias. A poesia, o dizer poético, tem esse condão, que é manifestação do próprio pensamento meditativo, como dizia Heidegger.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Dizer de onde isso surge, ou por que isso é assim, é o mesmo que responder às perguntas que têm atormentado o homem desde que o mundo é mundo: o que nos faz pensar? Por que existe o ser e não o nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A canção do policial militar, da mesma forma que um hino de qualquer religião, mostra algo que não está no ente, mas ao mesmo tempo está em todos os lugares e que, por sua vez, convoca para pensamento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Ao espaço que possibilita esse des-velamento, Heidegger chamou quadratura. O horizonte de compreensão do ser, instaurado pela poesia, abrange o ente como um todo, como uma totalidade de sentido. Heidegger fala em quadratura, porque esse nível de experiência da existência humana importa compreender o ente - que nós mesmos somos, como integrado a um quadrado: outros homens, a terra, o céu e o divino.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        Dizer o ser policial é dizer das responsabilidades imensas que nós, policiais militares, temos diante da quadratura: dos outros homens que nos cercam; da terra sobre a qual habitamos, da imensidão que nos envolve e que nos lembra nossa pequenez e, finalmente, é dizer do mistério profundo que nos arrebata e nos ultrapassa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-5209013398406857972?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/5209013398406857972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=5209013398406857972' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5209013398406857972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5209013398406857972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/03/ser-policial-sobretudo-uma-questo-do.html' title='SER POLICIAL É SOBRETUDO UMA QUESTÃO DO SER'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-6562266944091247726</id><published>2008-03-05T11:16:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T11:21:39.179-08:00</updated><title type='text'>A CANÇÃO DO POLICIAL MILITAR E A TEMÁTICA DO AMOR II</title><content type='html'>João Guimarães Rosa faz Riobaldo dizer que comandante é preciso, para aliviar os aflitos, para salvar a idéia da gente de perturbações desconformes, o que significa o mesmo que dizer que o exercício da chefia deve inspirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirar é o mesmo que introduzir ar nos pulmões. Essa significação é profunda. O espírito é também um sopro. Em algumas traduções do livro do gênesis aquela passagem que diz que o Espírito pairava sobre a face das águas se diz: o grande vento pairava sobre as águas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Inspirar uma conduta significa atribuir espírito a uma conduta; significa, em suma, imprimir a nossa marca na conduta dos nossos subordinados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por outro lado também significa dizer que tudo aquilo que nossos subordinados fazem, na verdade nós o fazemos, para o bem ou para o mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais refratário ao espírito da canção do policial militar, portanto, do que a conduta de um comandante que não se importa com a sorte de seus homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-6562266944091247726?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/6562266944091247726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=6562266944091247726' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/6562266944091247726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/6562266944091247726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/03/cano-do-policial-militar-e-temtica-do_05.html' title='A CANÇÃO DO POLICIAL MILITAR E A TEMÁTICA DO AMOR II'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-5129294386927258115</id><published>2008-03-04T11:07:00.000-08:00</published><updated>2008-03-04T11:12:31.188-08:00</updated><title type='text'>A CANÇÃO DO POLICIAL MILITAR E A TEMÁTICA DO AMOR I</title><content type='html'>O homem é a única criatura para quem não basta viver. A vida tem que ter um sentido para o homem. Aristóteles percebeu isso e escreveu uma ética na qual identificou o sentido humano com a busca da felicidade. Para Aristóteles o homem tem fome de felicidade. Felicidade para Aristóteles era viver bem e conduzir-se na vida de modo virtuoso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O tédio é insatisfação diante de tudo que nos cerca, portanto, e de certo modo, incapacidade para encontrar, nas coisas do mundo, uma razão para viver. Vamos considerar, então, o seguinte: o fato da imensidão da Terra e de tudo que nos cerca; de toda a prodigiosa imensidão do espaço; de toda a beleza que nos envolve, e, mesmo assim, vamos considerar que a alma humana possa não encontrar em nada disso satisfação. Como isso pode ser possível? É porque o desejo e a alma são maiores que tudo isso, e por conta disso não enxergam nessas coisas nada digno de espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capacidade do homem se entediar é um sinal inequívoco da grandeza humana, ainda que isso seja um paradoxo. O elemento de grandeza é também aquilo que pode nos destruir. Eis aqui um exemplo da precariedade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens se entediam porque não encontram respostas e quanto mais radical a pergunta, maior a possibilidade da revolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A canção do policial militar deve ser lida nessa perspectiva de busca do sentido. Se observarmos atentamente o poema, verificaremos que ele convoca o ente para uma tomada de posição diante do Nada, na medida em que o poema problematiza o ser do ente. Toda afirmação do Ser de um ente é uma oposição ao Nada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A canção do policial militar é uma narrativa poética que interpreta o sentido do ser policial, ao mesmo tempo em que determina esse sentido. Toda interpretação é também uma construção. É interessante observar como o poeta segue interpretando ao mesmo tempo em que vai estabelecendo uma curiosa dialética entre dois aspectos fundamentais da dimensão humana: a dimensão política, inaugurada pela experiência da pluralidade e a superação dessa dimensão, através do arrebatamento para o outro mundo, o do céu que se abre para o abrigo do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos inicialmente o primeiro movimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os versos da canção apresentam alguns pares em oposição, ao mesmo tempo em que dialogam, movimento ao qual nós chamaremos de dialético. Temos o momento que se vive e a eternidade; temos um diálogo entre a memória e o esquecimento; temos caminhos vários que se abrem diante do ente em cada minuto que corre. O poema recolhe essa multiplicidade de experiências humanas, mas a relação entre o policial e o amigo é diferente das demais, ela se estabelece como uma relação que não pretende a superação da síntese. O encontro entre o policial e o amigo é a ocasião para reunir integrando, igualdade e diferença, na pluralidade dos caminhos. Essa passagem releva a natureza política da atividade policial militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que trabalha junto a outro homem, necessariamente, não vence sua solidão. Atuar junto a outro homem não significa deixar de ser solitário, significa apenas concentração de esforços.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas o homem que encontra outro homem no espaço público e que reconhece nesse outro homem um amigo a quem deva defender reconhece alguém, no mínimo, igual a ele mesmo. A vida política de uma cidade está baseada na capacidade de manifestação de encontros dessa natureza; encontros de iguais, porque livres, mas diferentes pelas ações e palavras. Essa tem sido a essência da democracia desde a época áurea da Grécia antiga.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dizendo isso, acreditamos que o poeta quis celebrar a importância dos afetos nas práticas policias. Policiais devem ser mais humanos diz o poeta. Quanto mais sensíveis mais próximos dos outros homens. &lt;br /&gt;Essa sensibilidade que o poema exige é o contrário daquela visão tradicional do guerreiro. Nosso guerreiro conquista corações e não territórios. Corações são caprichosos, não se deixam dominar com facilidade. A educação do guerreiro deve ser uma educação sentimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espaço onde acontece o encontro do policial militar com o amigo é o mundo da vida, onde os homens tecem suas relações entre iguais. A dimensão política que o poema descreve, para se manter política, precisa garantir a integridade do espaço, missão que é do guerreiro, mas que também é do amigo, porque se trata de um espaço entre-dois, responsabilidade de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas uma experiência humana tende para a superação do espaço: o amor. É nesse sentido que se diz que os pares amorosos almejam a unidade da carne. Quando há amor, se há amor, o espaço desaparece. Isso significa dizer que o mundo também desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor nos arrebata para outro mundo, por isso é o afeto menos mundano. É esse sentimento que o poeta espera despertar com os versos: amor pelo ente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quartéis de Polícia devem ser lugares que propiciem amor pela Polícia Militar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-5129294386927258115?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/5129294386927258115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=5129294386927258115' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5129294386927258115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5129294386927258115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/03/cano-do-policial-militar-e-temtica-do.html' title='A CANÇÃO DO POLICIAL MILITAR E A TEMÁTICA DO AMOR I'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-3495300478921451669</id><published>2008-02-12T04:06:00.000-08:00</published><updated>2008-02-12T04:11:18.746-08:00</updated><title type='text'>O MODELO DE ADMINISTRAÇÃO MILITAR E O PENSAMENTO</title><content type='html'>Platão foi o primeiro teórico de polícia, o primeiro policiólogo. Platão foi quem primeiro chamou nossa atenção para a necessidade de temperar mansidão com a possibilidade do uso da força, equilíbrio delicado, mas que somente será atingido se o guardião puder ser despertado para o pensamento.&lt;br /&gt;Muitos dirão que o militar não pensa; que o militar não é formado para pensar, e que pretender uma formação de militares pensantes é um despropósito. A esses respondemos que sustentar isso, além de ser uma rematada burrice, é desconhecer o ser militar!&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, porque formar homens armados que não pensam, longe de ser uma garantia de defesa para qualquer sociedade, é uma verdadeira insanidade, questão tão evidente que entendemos desnecessário aprofundar o argumento. &lt;br /&gt;Em segundo lugar diremos que se o militar não pensa, ou seja, se a formação dos militares não leva em conta a necessidade do pensamento, não é por conta de uma característica inerente ao ofício, mas por uma falta de sensibilidade e por uma deturpação do modelo, cuja origem talvez se possa encontrar no ideário militarista inerente ao conceito de soberania dos Estados-nacionais . &lt;br /&gt;O militar é um profissional que, segundo Platão, seria tanto melhor formado quanto mais manifestasse vocação para o pensamento. Para Platão o militar, o guardião ou soldado, são profissionais muito especiais para a sobrevivência da sociedade, porque possuem concretamente o monopólio do uso da forma, e por isso formados para pensar, mas não para pensar em si mesmos, e essa é a grande distinção. O militar é aquele que leva a capacidade do pensamento e do cuidado para com o Outro, a um grau que nem todos podem entender, como se diz na canção do policial militar. &lt;br /&gt;Diríamos, por derradeiro, que se faz necessário, quando se fala na categoria militar, estabelecer uma distinção entre o militar e militarismo. O militar é um profissional submetido a uma estrutura fundada numa percepção diferenciada da hierarquia e da disciplina e como categoria profissional se caracteriza por uma maneira de agir que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Consiste na concentração de homens e de recursos a fim de conseguir objetivos específicos com o mínimo de gastos de tempo, e de energia, de sangue e de dinheiro e mediante a aplicação de técnicas mais racionais". (PASQUINO, 2000)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado o militarismo é uma ideologia que&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"visa objetivos ilimitados; objetiva penetrar em toda a sociedade, impregnar a indústria e a arte, conferir às forças armadas superioridade sobre o Governo; rejeita a forma científica e racional de efetuar a tomada de decisões e ostenta atitudes de casta, de culto e de fé". (PASQUINO, 2000)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O militarismo é a ideologia que Platão procurou evitar para seus guardiões.&lt;br /&gt;Outra crítica que se costuma apresentar contra o modelo de administração militar é que a hierarquia e a disciplina afetariam o grau de discricionariedade do policial dos níveis mais de base, e que essa diminuição do poder de atuação poderia interferir na qualidade da prestação do serviço. &lt;br /&gt;Aqui também a crítica merece um aprofundamento maior, porque acreditamos que o problema possa ter raízes mais profundas. &lt;br /&gt;Ao longo de todo século XX as unidades policiais dos países ocidentais enfrentaram o dilema entre os modelos burocráticos e profissionais. Enquanto o modelo burocrático busca a eficiência organizacional através da centralização, e adoção de medidas impessoais de gestão, o modelo profissional privilegia o exercício da discricionariedade do profissional. O profissional modelo deste último tipo é o médico. &lt;br /&gt;O dilema entre os modelos não é privilégio das instituições militares, mas de todas as estruturas burocratizadas, e coincide com o fenômeno moderno das burocracias organizacionais. &lt;br /&gt;Não temos resposta para essa questão. Os limites estreitos do presente estudo não nos permitem o esgotamento do problema.&lt;br /&gt;Acreditamos que o policial necessita de um grau de discricionariedade para o exercício de sua atividade, mas não acreditamos que se possa afirmar, ao menos com o nível de pesquisa que temos desenvolvido até o presente, que uma organização que adote o modelo militar de gestão, apenas por isso, não possa formar agentes capazes para o exercício da discrição. &lt;br /&gt;Afirmar que o modelo de organização administrativo-militar não permite, por si só, a formação de mentalidades aptas ao exercício da discricionariedade no grau que se espera encontrar dos operadores de segurança pública é pura questão de preconceito, fundado na máxima de que militar não pensa. &lt;br /&gt;Acreditamos que o desafio posto diante das organizações fundadas no modelo de administração militar, é o de identificar em seus etos organizacionais os elementos que possam favorecer o desenvolvimento de uma cultura militarista, o que demanda um estudo especificamente voltado para esse enorme desafio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-3495300478921451669?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/3495300478921451669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=3495300478921451669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3495300478921451669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3495300478921451669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/02/o-modelo-de-administrao-militar-e-o.html' title='O MODELO DE ADMINISTRAÇÃO MILITAR E O PENSAMENTO'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-5048391213653934403</id><published>2008-02-07T07:24:00.000-08:00</published><updated>2008-02-07T07:45:10.911-08:00</updated><title type='text'>TÉDIO E ESTETIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA</title><content type='html'>Se a hipótese levantada por Vilém Flusser estiver correta, e, considerando a distinção estabelecida por Hannah Arendt entre poder e violência, talvez tenhamos algo a dizer, sobre o mecanismo que faz com que a violência no Brasil possa estar associada à constituição de uma sociabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arendt estabelece uma separação teórica entre o poder e a violência. Para essa autora (2000, p. 36), o poder corresponde à habilidade humana não apenas para agir, mas para agir em concerto; ao passo que a violência surge no contexto da falência do poder. Ou seja, segundo Hannah Arendt (2000, p. 63), cada diminuição no poder é um convite para a violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num cenário marcado pelo niilismo, como parece ser o caso brasileiro, é justamente a capacidade para agir que fica comprometida, porque uma das características desse fenômeno é o tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cioran (1995, p. 21-22), apologista do niilismo sem redenção, disse o seguinte do tédio: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem não conhece o tédio encontra-se ainda na infância do mundo, quando as idades esperavam para nascer; permanece fechado para nascer; permanece fechado para este tempo fatigado que se sobrevive, que ri de suas dimensões e sucumbe de seu próprio... porvir, arrastando com ele a matéria, subitamente elevada a um lirismo de negação. O tédio é o eco em nós do tempo que se dilacera..., a revelação do vazio, o esgotamento desse delírio que sustenta – ou inventa – a vida..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tédio niilista incapacita para a ação porque desorienta. O mundo é visto fora dos eixos; faltam referências válidas para se lidar com o real. &lt;br /&gt;O brasileiro, segundo nossa hipótese, é um ser que vive mergulhado num tédio existencial profundo e dissimulado, que ele tenta desesperadamente negar, mediante um processo permanente de carnavalização da vida, onde a alienação funciona, dialeticamente, como um mecanismo de descoberta de uma nova realidade. &lt;br /&gt;Essa percepção da brasilidade como algo fora dos eixos, foi captada numa música dos anos 80, de autoria do grupo Titãs, chamada Lugar Nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não sou brasileiro, não sou estrangeiro. Não sou brasileiro, não sou estrangeiro. Não sou de nenhum lugar. Sou de lugar nenhum. Não sou de São Paulo, não sou japonês. Não sou carioca, não sou português. Não sou de Brasília, não sou do Brasil. Nenhuma pátria me pariu. Eu não to nem aí. Eu não to nem aqui".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós desenvolvemos um modo singular de estarmos no nada, brasileiramente... fazendo de conta que não estamos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Não sou de nenhum lugar. Sou de lugar nenhum. Essa expressão traduz a condição existencial que estamos denominando nesse estudo, na falta de um termo mais adequado, tédio niilista.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas, o que pode significar estar no vazio?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estar no vazio tem a ver com a experiência da finitude... com a morte. &lt;br /&gt;É preciso entender, neste passo, o seguinte: o maior adversário da vida não é a morte, como muitos poderiam imaginar, mas o tédio. Senão vejamos: o que é a vida? A vida, segundo Espinosa (1983, p. 24) é a força pela qual as coisas perseveram em seu ser. Vida é egoísmo de viver. Vida é movimento para adquirir mais vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tédio niilista se dirige precisamente contra essa força, na medida em que incapacita para a ação. Quando o tédio se instala no caráter de uma sociedade, os mecanismos misteriosos da vida fabricam linhas de fuga, a violência surge, então, como alternativa em favor da vida. Num ambiente marcado pelo tédio niilista a transgressão e a violência surgem como desdobramentos, não apenas naturais, mas necessários.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cioran ensina que &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"se  as tardes de domingo fossem prolongadas durante meses, o que seria da humaniade, emancipada do suor, livre do peso da primeira maldição? A experiência valeria a pena. É mais que provável que o crime se tornasse a única diversão, que a devassidão parecesse candura, o uivo melodia e o escárnio doçura. A sensação da imensidade do tempo faria de cada segundo um intolerável suplício, um pelotão de execução capital. Nos corações mais imbuídos de poesia se instalariam um canibalismo estragado e uma tristeza de hiena; os patíbulos e os carrascos extinguiriam-se de langor; as igrejas e os bordéis explodiriam de suspiros. O universo transformado em tarde de domingo... é a minha definição do tédio – e o fim do universo..."&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se a consciência do vazio é uma condição de possibilidade para a transposição de qualquer fronteira, também pode ser condição para a violência. Nesse caso, a violência parece decorrer de uma necessidade de escapar do tédio, por conta de um desejo do ente pela transcendência, cujo acesso o fenômeno oblitera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendemos que a cultura da violência no Brasil, que alguns estudiosos como Kant de Lima enxergam a partir das relações construídas historicamente entre as instituições do Estado e a cidadania; que outros enxergam sob as lentes da economia, ou da luta de classes, possa apresentar uma dimensão existencial, associada à idéia do niilismo enquanto morte do sentido, que urge investigar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-5048391213653934403?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/5048391213653934403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=5048391213653934403' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5048391213653934403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5048391213653934403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/02/tdio-e-estetizao-da-violncia.html' title='TÉDIO E ESTETIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-4536213829860407494</id><published>2008-01-31T10:25:00.000-08:00</published><updated>2008-01-31T10:29:58.953-08:00</updated><title type='text'>QUE SOCIEDADE É ESSA?</title><content type='html'>"Há pessoas que parecem tigres ávidos de beber sangue humano Quem exerceu uma vez esse poder, esse ilimitado domínio sobre o corpo, o sangue e a alma de um semelhante seu, de uma criatura, de um irmão em Cristo; quem conheceu o poder e a plena faculdade de infligir a suprema humilhação a outro ser, que traz em si a imagem de Deus – converte-se sem querer em escravo de suas sensações. A tirania é um costume; possui a faculdade de desenvolver-se e degenera, finalmente, numa doença. Eu afirmo que o melhor dos homens pode embrutecer-se e embotar-se por efeito do hábito, até descer ao nível duma fera. O sangue o poder embriagam, engendram o embrutecimento, a insensibilidade; tanto a inteligência como o sentimento acabam por achar isso natural e, por fim, aprazíveis as manifestações mais normais. O homem e o cidadão morrem para sempre no tirano; é-lhe quase impossível regressar à dignidade humana, ao arrependimento, a uma nova vida. Além disso, o exemplo, a possibilidade de tal egoísmo faz aparecer também na sociedade um efeito nocivo: semelhante poder é sedutor. A sociedade que contempla com indiferença esse espetáculo está já minada na base". (Fiodor Dostoievski, do romance Memórias da casa dos mortos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-4536213829860407494?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/4536213829860407494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=4536213829860407494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4536213829860407494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4536213829860407494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/01/que-sociedade-essa.html' title='QUE SOCIEDADE É ESSA?'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-2742460541130098646</id><published>2008-01-31T09:51:00.000-08:00</published><updated>2008-01-31T10:05:25.990-08:00</updated><title type='text'>PENSAR PODE EVITAR O MAL?</title><content type='html'>Hannah Arendt abandona as categorias heideggerianas do pensamento calculativo e meditativo e, retomando a distinção kantiana, fala em pensamento e conhecimento, passando a designar o pensamento que se demora nas coisas, no sentido meditativo, como pensamento apenas. Arendt fala ainda de uma capacidade e de uma necessidade de pensar. A capacidade de pensar é, obviamente, uma atribuição dos homens, porque estes são dotados da razão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas, onde estaria essa necessidade de pensar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se a capacidade de distinguir o certo do errado tiver alguma coisa a ver com a capacidade de pensar, então devemos ser capazes  de “exigir” o seu exercício de toda pessoa sã, por mais erudita ou ignorante, inteligente ou estúpida que se mostre. Kant, a esse respeito quase o único entre os filósofos, ficava muito incomodado com a opinião comum de que a filosofia só existe para uns poucos, precisamente por causa das implicações morais dessa opinião. Nessa linha, ele observou certa vez que “A estupidez é causada por um coração malvado” uma declaração que nessa forma não é verdadeira. A incapacidade de pensar não é estupidez; pode ser encontrada em pessoas altamente inteligentes, e a maldade dificilmente é a sua causa, nem que seja porque a ausência da capacidade de pensar, bem como a estupidez, são fenômenos muito mais freqüentes que a maldade O problema é precisamente que nenhum coração malvado, um fenômeno relativamente raro, é necessário para causar um grande mal. Por isso, em termos kantianos, precisaríamos da filosofia, o exercício da razão como faculdade do pensamento, para impedir o mal". (ARENDT)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para Arendt o sentido do pensamento é a práxis humana. Os homens precisam do pensamento porque precisam agir sobre o mundo, mas agir de modo virtuoso sobre o mundo, pois,&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"no momento em que começamos a pensar em qualquer questão, paramos tudo o mais, e esse tudo o mais, seja lá o que for, interrompe o processo de pensar; é como se entrássemos num mundo diferente. O fazer no sentido mais geral de inter homines esse, estar entre os meus semelhantes – o equivalente latino para estar vivo -, impede positivamente o pensar".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para agir virtuosamente sobre o mundo, Arendt ensina que é preciso adentrar um mundo diferente, outro mundo, o que de certo modo incapacita para a ação neste mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas, que mundo é esse?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A própria alma humana é esse mundo!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Temos aqui aquele célebre "dois-em-um socrático": o diálogo da alma consigo mesma! &lt;br /&gt;Esse exercício é fundamentalmente ético, e por isso indispensável ao agir virtuoso, porque a alma é uma testemunha silenciosa da ação humana. Cada homem, mesmo que sozinho, carrega dentro de si um tribunal: a própria consciência.&lt;br /&gt;Para Arendt: "O que leva um homem a temer a sua consciência é a antecipação da presença de uma testemunha que o aguarda apenas se e quando ele vai para casa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo o mundo o espaço onde o homem, através de sua ação, condiciona sua existência, esta somente é possível diante de uma ação que se revele um cuidado essencial para com esse espaço. Agir, no sentido empregado por Arendt significa ser responsável pelo mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Segundo Hannah Arendt, o homem age, no sentido virtuoso, quando responde pelo chamado do mundo. O mundo deve ser, em nome da possibilidade do habitar coletivo dos homens, um lugar decente. Fora dessa possibilidade de construção de um mundo decente , a vida dos homens seria impossível, ou seria um inferno, o que dá no mesmo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para viverem juntos, e livres, os homens devem procurar agir sobre o mundo de tal modo que possam estar, sempre, em condições de prestarem contas de suas ações aos demais, e, principalmente, a si mesmos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O agir virtuoso dos homens, sem o qual não há sociedade decente, como não se cansou de dizer Platão, quer dizer que o agir humano deve ser um agir baseado no cuidado essencial para com as coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter cuidado com o mundo e com os outros homens, cuidado aqui, no sentido heideggeriano de ocupação e preocupação para com o mundo e os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obs: A obra referenciada é Responsabilidade e Julgamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-2742460541130098646?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/2742460541130098646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=2742460541130098646' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2742460541130098646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/2742460541130098646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/01/pensar-pode-evitar-o-mal.html' title='PENSAR PODE EVITAR O MAL?'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-5927773871470809924</id><published>2008-01-30T04:45:00.000-08:00</published><updated>2008-01-30T04:50:39.892-08:00</updated><title type='text'>LUCIDEZ E DESOLAÇÃO</title><content type='html'>A DOR, SEGUNDO EMIL M. CIORAN&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor!&lt;br /&gt;A dor parece pertencer à ordem das coisas que não deveriam ter lugar no mundo. “Por alimento tenho soluços, e os gemidos vêm-me como água”, exclamava Jó. “A minha Dor é um convento”, escreveu Florbela Espanca, “noites e dias rezo e grito e choro! E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um tipo extremo de percepção das coisas, capaz de impingir dor em sua versão mais lancinante: aquela que toca as raias do indizível. O poeta italiano Giacomo Leopardi, tão caro a Nietzsche, em seus célebres Opúsculos Morais, mais precisamente no texto intitulado Diálogo de Plotino e Porfírio, assim estabelece os contornos da intrigante questão: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, eu próprio te direi que esta minha inclinação não procede de nenhuma desgraça que me tem acontecido, ou que espere, na verdade que me suceda, mas sim de um cansaço da vida, de um tédio que experimento tão veemente que se assemelha à dor e à aflição; não só vem de certo conhecimento mas de ver, provar e tocar a vacuidade de cada coisa que me ocorre durante o dia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A experiência de tocar a vacuidade das coisas é privilégio de poucos, afinal “o homem com vocação metafísica é mais raro que um monstro – e, entretanto, cada homem contém virtualmente os elementos dessa vocação”. Desses poucos dotados da surpreendente vocação para o “naufrágio da hora morta”, lembrando aqui os versos de Fernando Pessoa, para os quais “tudo é névoa e ocaso”, o filósofo Romeno de expressão francesa Emil Michel Cioran (1911-1995), destaca-se por aquilo que Clément Rosset denominou “descontentamento”, pretendendo referir-se a uma dificuldade insuperável em aclimatar-se à existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Clément Rosset define o descontentamento de Cioran – num post scriptum ao livro Alegria a Força Maior, como &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sentimento da insignificância, o pensamento permanente – pensamento que se esquece às vezes, mas que nunca se expulsa nunca, pois ele volta, invariavelmente, a se insinuar para a consciência no momento em que se estaria tentado a se deixar conquistar por uma alegria do mundo – da igual e morna insignificância de qualquer coisa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O provar da vacuidade de tudo que está ao redor acarreta um profundo sentimento de insignificância, que é, em suma, um conhecimento da própria miséria. A propósito disse Pascal que “qualquer objeto a que imaginemos nos apegar escapa à perseguição. Escorrega-nos entre as mãos numa fuga eterna”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Para Cioran &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A vida é apenas um torpor no claro-escuro, uma inércia entre luzes e sombras, uma caricatura desse sol interior que nos faz crer ilegitimamente em nossa excelência sobre o resto da matéria”. E ainda: “Rotineiros do desespero, cadáveres que se aceitam, todos nós sobrevivemos e morremos para cumprir uma formalidade inútil".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Trata-se, portanto, de experimentar a miséria e o sem-sentido de tudo. A pequenez de todas as coisas. A existência como uma dolorosa experiência de um paradoxo que, segundo Clément Rosset, constitui o eixo principal do descontentamento de Cioran que, em apertada síntese, se define como a revelação de que se é “demais para ser considerado nada, mas pouco demais para ser levada em conta...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revelação da pequenez das coisas é produtora de um profundo sofrimento, porque desvela a desgraça originária na qual estão mergulhados todos os seres, a sua nudez fundamental, diante da qual se colocam ao alcance dos olhos as evidências da vaidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cioran sustenta no Breviário de Decomposição: “todos os seres são desgraçados; mas quantos o sabem?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar para as coisas ao redor é constatar que “a decomposição preside as leis da vida...”. E assim “sob o aguilhão da dor, a carne desperta; matéria lúcida e lírica, canta sua dissolução”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A experiência da dor torna-se inseparável da lucidez, posto que “a lucidez extrema é o último grau da consciência e dá ao ser a sensação de ter esgotado o Universo e de ter sobrevivido a ele”, conforme sustentou Cioran em entrevista concedida, pouco antes de morrer, a Sylvie Jaudeau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Santo Agostinho sustenta que “para qualquer parte que se volte a alma humana é à dor que se agarra...” caso abandone Deus. Para Cioran, incapaz desse volver os olhos para Deus, visto que lhe falta a condição necessária que é a fé, resta a “aspiração do Vazio” como forma de preservação ao exercício (para ele) humilhante da fé.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nada parece exercer uma força de atração tão invencível que é capaz de fazer o homem perseverar no absurdo da existência e recusar a saída extrema do suicídio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Diz Cioran:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É que, a razão desaprova o apetite de viver, o nada que faz prolongar os atos é, entretanto, uma força superior a todos os absolutos; ele explica a coalizão tácita dos mortais contra a morte; não só é símbolo da existência, mas a existência mesma; é o todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento, a lucidez, torna a existência insuportável, porque retira dela o manto que lhe cobre a incurável pobreza. O que se vê, então, retirado o manto protetor é o Vazio em toda a sua imensidão; imensidão que apavora, mas que, por outro lado atrai, porquanto afoga o pensamento e como disse Leopardi é doce naufragar nesses mares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-5927773871470809924?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/5927773871470809924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=5927773871470809924' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5927773871470809924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5927773871470809924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/01/lucidez-e-desolao.html' title='LUCIDEZ E DESOLAÇÃO'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-4268066725484997024</id><published>2008-01-29T05:46:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T05:48:18.939-08:00</updated><title type='text'>O POLICIAL MILITAR E O SENTIMENTO TRÁGICO DA VIDA II</title><content type='html'>"Quer os mortais prestem atenção, quer se esqueçam, a ponte se eleva sobre o caminho para que eles, os mortais, sempre a caminho da última ponte, tentem ultrapassar o que é habitual e desafortunado e assim acolherem a bem-aventurança do divino". (HEIDEGGER, 2002, p. 132)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na história do processo civilizador tem sido a atividade do herói o ponto central da significação humana. Tudo que os homens fazem ao longo de suas vidas breves é uma tentativa patética de adquirir um sentimento básico de valor. Uma família que garanta ao homem a ilusão de permanecer em seus descendentes; uma edificação que toque os céus como a torre de babel, ou um emprego que traga uma idéia, ainda que pálida, de que se é indispensável. Tudo isso representa um conjunto de variações sobre o mesmo tema: o heroísmo. &lt;br /&gt;Por trás de todo heroísmo está o pavor da morte! &lt;br /&gt;Desde que os Gregos inventaram a tragédia aprendemos a exorcizar nosso pavor do derradeiro encontro, através das aventuras do herói que enfrenta bravamente a extinção em nosso lugar.&lt;br /&gt;A essa postura diante da existência, que reconhece uma relação paradoxal no âmago da própria experiência vital, na medida em que viver significa sempre mais e cada vez menos; a esse grito desafiador que o homem lança à beira do abismo, diante do inexorável, chamamos sentimento trágico da vida.&lt;br /&gt;Esse ponto de partida existencial que fundamenta todo ato heróico é o mesmo sentimento de perplexidade diante do Mistério, que funda as religiões. As corporações fundadas no heroísmo, como as policiais militares, estão, por conta disso, muito mais próximas das instituições religiosas do que pode sonhar a nossa vã filosofia. &lt;br /&gt;O ato heróico e o religioso são afins, porque ambos apontam para a eternidade. Ambos são frutos das dores deste mundo. Ambos são fenômenos que resultam da contradição essencial do homem: um ente que morre; que é informado pela razão e por todos os seus sentidos que está destinado à aniquilação, mas que exige experimentar uma felicidade proporcional à existência de sua essência. &lt;br /&gt;Essa criatura que sofre ao extremo do desespero mais lancinante; essa frágil e arrogante criatura que se aborrece de sua existência ao ponto do suicídio, sabe que abriga em si uma infelicidade ingênita, que tenta mitigar no mundo da vida. &lt;br /&gt;O sofrimento do homem talvez seja a prova metafísica de sua imortalidade! &lt;br /&gt;O moderno guardião da cidade, que é o policial militar, ao se constituir na linha de frente da defesa do mundo das criações humanas, ajuda a manter viva a fome de imortalidade da alma humana, porque defender o homem não significa defender apenas o ser existente, significa defender a vida como um princípio, porque o homem pertence à vida; significa, por isso, dizer não ao Nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-4268066725484997024?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/4268066725484997024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=4268066725484997024' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4268066725484997024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/4268066725484997024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/01/o-policial-militar-e-o-sentimento.html' title='O POLICIAL MILITAR E O SENTIMENTO TRÁGICO DA VIDA II'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-5234918448398534563</id><published>2008-01-28T10:36:00.000-08:00</published><updated>2008-01-28T10:40:31.464-08:00</updated><title type='text'>DO SENTIMENTO TRÁGICO DA VIDA</title><content type='html'>UM EXCURSO PELO SENTIMENTO TRÁGICO DA VIDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIVER&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era apenas isso, era isso, mais nada?&lt;br /&gt;Era só a batida numa porta fechada?&lt;br /&gt;E ninguém respondendo, nenhum gesto de    abrir:&lt;br /&gt;era, sem fechadura, uma chave perdida?&lt;br /&gt;Isso, ou menos que isso, uma noção de porta,&lt;br /&gt;o projeto de abri-la sem haver outro lado?&lt;br /&gt;O projeto de escuta à procura de som?&lt;br /&gt;O responder que oferta o dom de uma recusa?&lt;br /&gt;Como viver o mundo em termos de esperança?&lt;br /&gt;E que palavra é essa que a vida não alcança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  &lt;br /&gt;I. Considerações preliminares&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;          No dia 05 de abril de 1973, a NASA&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt; lançou ao espaço sideral a sonda Pionner 11&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt; com a missão de fotografar os planetas Júpiter e Saturno. Esse fabuloso engenho humano encerrou sua missão no dia 30/09/95. Atualmente está fora do sistema solar a caminho da longínqua Constelação da Águia. O destino da insólita viagem dista 04 milhões de anos-luz da Terra.          &lt;br /&gt;          Esse prodígio da inteligência humana carrega em seu bojo uma placa que contém informações sobre a civilização que o projetou, de tal modo que se o aparelho vier a cair, um dia, nas mãos de alguma inteligência alienígena, nossos vizinhos tenham condições de localizar o planeta de origem do equipamento.&lt;br /&gt;          Não é de todo improvável, considerando a enormidade de tempo que terá decorrido ao longo da viagem, que seus inventores tenham desaparecido, juntamente com o pequeno planeta azulado, onde tudo se deu, muito antes da engenhoca atingir seu alvo, cumprindo, assim, o inexorável destino de tudo aquilo que vive.&lt;br /&gt;          O exemplo citado demonstra menos o tamanho da genialidade humana, que de certo é notável, do que a enormidade de um drama: o paradoxo existencial. Na ordem do Ser, a criatura dotada de razão, se vê confrontada com uma dura realidade: a revelação de sua posição, na série das grandezas descomunais do espaço-tempo. A lucidez revela ao homem a desconcertante verdade da finitude! A lucidez nos revela que, se por um lado existimos, ou melhor, se ocupamos um lugar na ordem do Ser, não somos significativos ao ponto de sermos levados em conta. É por meio da lucidez que temos acesso à desconcertante revelação da morte. Nós vamos morrer. Saber que se vai morrer, e não poder fazer, absolutamente nada, para evitar o Nada, é, decididamente, indecente!&lt;br /&gt;O poeta Fernando Pessoa (1999, p. 46-47) que sentiu de modo intenso o desassossego da presença desse abismo existencial, nas imediações do qual se equilibra, como pode, a frágil criatura humana, escreveu o seguinte no Livro do Desassossego&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde ela me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cômodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.&lt;br /&gt;Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Nós, seres humanos, temos a consciência de que morremos a cada instante, mas é uma consciência estranha, porque, desde que a saúde nos favoreça, a finitude é um fato que não permanece no nível de nossas preocupações imediatas. É injustificável, do ponto de vista de uma lógica rigorosa, mas nós, apesar da certeza da morte, continuamos a contabilizar a passagem do tempo, ao nosso favor, nos alegrando juntos e comemorando natalícios, como se a realidade da morte fosse algo que dissesse respeito aos outros, como se conosco fosse uma questão hipotética... distante, algo que pode esperar.&lt;br /&gt;Costumamos dizer que tudo passa, e temos, inclusive, a certeza de que essa sentença é um truísmo, mas, quantos de nós somos verdadeiramente capazes de avaliar o que é a morte? O que significa morrer?&lt;br /&gt;         Apesar de ser uma verdade dolorosa, e desde que não soframos de uma patologia psíquica, o conhecimento da morte não nos imobiliza. Contra todas as evidências da lucidez, mesmo contra o pavoroso sentimento de nossa insignificância, diante de tudo que nos cerca, a alegria insiste em não abandonar o campo de batalha.&lt;br /&gt;         Heidegger (2003, p. 186) disse, o seguinte sobre a dor existencial:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; quanto mais alegre a alegria, mais pura é a tristeza nela adormecida. Quanto mais profunda a tristeza, mais a alegria que nela repousa nos convoca. Tristeza e alegria tocam e jogam uma contra a outra. O jogo que afina tristeza e alegria entre si, aproximando à distância e distanciando a proximidade, é a dor. Por isso, tanto a alegria mais intensa como a tristeza mais profunda são, cada uma a seu modo, dolorosas. A dor encoraja, no entanto, o ânimo dos mortais de tal modo que é da dor que eles recebem a sua gravidade (grifo nosso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gravidade do homem, da qual fala Heidegger, se manifesta nas criações humanas, como essa fantástica Pionner 11. Cada obra de nossas mãos é uma espécie de torre de babel&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;; uma tentativa de chegar aos céus para demonstrar o nosso valor... um grito de protesto dirigido à eternidade. Ao conjunto dessas criações, nós chamamos cultura. A cultura é, pois, tudo aquilo que o homem produz, para escapar da morte e tornar a vida mais suportável&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Sobre a inclinação humana a buscar, desesperadamente, uma posição de destaque na ordem do Ser, Ernest Becker (2007, p. 22), afirma em A negação da Morte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas simplesmente expressam muito abertamente o trágico destino do homem: justificar-se desesperadamente como um objeto de valor primordial no universo, se destacar, ser um herói, dar a maior contribuição possível para a vida no mundo, mostrar que vale mais do que qualquer outra coisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura é a grande invenção humana em sua luta contra a morte. De algum modo os homens pretendem continuar em suas obras, mesmo que depois deles nada mais reste do que o pó. A cultura funciona, assim, como uma negação do fato da mortalidade, e uma forma de acesso à transcendência. A percepção do uso da cultura como forma de afirmação da transcendência, fez Becker&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt; (2007, p. 23) afirmar que a sociedade pretende menos tornar a vida humana materialmente mais fácil, do que servir de meio para a realização do ideal heróico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que a sociedade é assim e sempre foi: um sistema de ação regido por símbolos, uma estrutura de condições sociais e de papéis, de costumes e regras de comportamento, destinada a servir de veículo para o heroísmo dos seres terrestres. Cada roteiro é único e singular, já que cada cultura tem um sistema de heroísmo diferente. O que os antropólogos chamam de “relativismo cultural” é, na verdade, a relatividade dos sistemas de heróis em todo o mundo. Um sistema cultural é uma dramatização de seres heróicos sobre a terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura é a forma encontrada pelo homem de lidar com o drama, fundamentalmente humano, da finitude. Através da cultura, o homem agrega a sua natureza animal um conteúdo simbólico. A dimensão simbólica do humano é que torna a vida conciliável com a razão.&lt;br /&gt;De todos os símbolos humanos nenhum é mais poderoso do que a linguagem. É por conta desse poder de acesso ao mundo e aos outros homens que nós conseguimos lidar com nossas perplexidades.&lt;br /&gt;O herói é uma construção poética do espírito humano que sintetiza a experiência da finitude. Aquiles, personagem de Homero, ilustra essa idéia, talvez mais que qualquer outro herói. Aquiles&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;[8]&lt;/a&gt; é filho de Tétis, uma imortal, com Peleu, um mortal. Apesar de invencível nos campos de batalha, sob o ponto de vista dos deuses, não passa de um mortal.&lt;br /&gt;O conhecimento doloroso de nossa triste condição de mortais é a origem da cultura, das religiões e do culto do herói, porque os heróis têm encarnado, em todas as tradições, no lugar de cada um de nós, o drama fundamental da incompletude humana, diante de um universo que nos envolve e nos ultrapassa. O grito lancinante de Aquiles&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;[9]&lt;/a&gt;, dirigido a sua mãe, tem sido o nosso grito durante todo curso do processo civilizador: Mãe que me dotaste de uma vida tão curta, não devia o Olimpo coroar-me de honras? (HOMERO, 2001, p. 51).&lt;br /&gt;O homem é um animal paradoxal. É paradoxal porque precisa da dimensão simbólica para existir, mas o acesso à dimensão simbólica garante apenas uma existência provisória, porque sempre dependente de novos símbolos. O homem é provisório, porque é animal e é simbólico. Ser homem é estar sempre a caminho; sempre, desde o início, em travessia, sempre em busca de um complemento.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Trata-se de um poema de Carlos Drummond de Andrade, do livro As Impurezas do Branco (1979, p. 447).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; Trata-se da conhecida agencia espacial dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; Os dados referentes a essa espantosa viagem de pesquisa da Pionner 11 podem ser consultados no site: &lt;a href="http://www.karl.benz.nom.br/hce/satelite/pionner/pionner.asp"&gt;www.karl.benz.nom.br/hce/satelite/pionner/pionner.asp&lt;/a&gt; (acesso em 18/11/2007).&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Costuma-se dizer que o Livro do Desassossego, o livro mais triste e mais desolador da literatura ocidental, é de autoria de Fernando Pessoa. A bem dizer esse livro não existe; ou melhor, Fernando Pessoa jamais escreveu o Livro do Desassossego. Essa obra foi elaborada com base em notas encontradas após a morte de Pessoa. O chamado Livro do Desassossego é, portanto, uma compilação de textos de autoria do magnífico Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; A Torre de Babel, como sabemos, foi aquela construção mítica da qual nos fala o livro do Gênesis que os homens pretenderam erguer em direção aos céus.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; Essa definição de cultura é do poeta francês Stefane Malamé, os autores não resistiram à beleza dessas palavras e decidiram incorporá-las ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; A visão de Becker é indiscutivelmente trágica.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn8" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;[8]&lt;/a&gt; Existem duas genealogias dos deuses e heróis gregos, uma atribuída a Hesíodo e outra a Homero. Nós estamos trabalhando neste estudo com a narrativa de Homero. O texto guia é a Ilíada.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5057220349673761836#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;[9]&lt;/a&gt; A torre de babel citada anteriormente é uma expressão desse grito, no âmbito da cultura judaica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-5234918448398534563?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/5234918448398534563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=5234918448398534563' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5234918448398534563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/5234918448398534563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/01/do-sentimento-trgico-da-vida.html' title='DO SENTIMENTO TRÁGICO DA VIDA'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-3420132928360361837</id><published>2008-01-28T10:14:00.001-08:00</published><updated>2008-01-28T10:28:32.205-08:00</updated><title type='text'>ADORNO E A FILOSOFIA DA NOVA MÚSICA I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"E a terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As palavras com as quais Theodor Adorno e Max Horkheimer inauguram a Dialética do Esclarecimento prefiguram o tom marcadamente pessimista dessa obra colossal: o pensamento tornou-se patológico. A partir dessa constatação a conclusão que se segue é inevitável: pensar já é vitimar. Adorno recusa, porém, a impossibilidade do pensamento. Numa extraordinária passagem da Mínima Moralia ele afirma, numa visão surpreendentemente otimista, aquilo que poderia ser o compromisso de uma filosofia possível depois de Auschwitz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diz Adorno:&lt;br /&gt;"A filosofia, segundo a única maneira pela qual ela ainda pode ser assumida responsavelmente em face do desespero, seria a tentativa de considerar todas as coisas tais como elas se apresentariam a partir de si mesmas do ponto de vista da redenção. O conhecimento não tem outra luz além daquela que, a partir da redenção, dirige seus raios sobre o mundo: tudo o mais se exaure na reconstrução e permanece uma parte da técnica. Seria produzir perspectivas nas quais o mundo analogamente se desloque, se estranhe, revelando suas fissuras e fendas, tal como um dia, indigente e deformado, aparecerá na luz messiânica. Obter tais perspectivas sem arbítrio nem violência, a partir tão-somente do contato com os objetos, é a única coisa que importa para o pensamento. É a coisa mais simples de todas, porque a situação clama irrecusavelmente por esse conhecimento, mas ainda, porque a perfeita negatividade, uma vez encarada face a face, se consolida na escrita invertida de seu contrário. Mas é também o inteiramente impossível, porquanto pressupõe um ponto de vista afastado do circulo mágico da existência, ao passo que todo o conhecimento possível não só deve ser extorquido do que existe, de modo a chegar a ser obrigatório, mas se vê por isso mesmo marcado pela mesma deformação e pela mesma indigência que pretende se subtrair".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve haver uma alternativa para o pensamento e Adorno vai construir uma estética como resposta possível para essa alternativa. Numa posição contrária ao do 1º Wittgeinstein, Adorno afirma como tarefa da filosofia expressar o inefável. Nessa tarefa a filosofia encontra a música.Adorno foi um entusiasta da nova música; a bem de ver foi seu intérprete filosófico, ele mesmo, aliás, discípulo de Alban Berg (1885-1935). Essa nova música surgiu das experiências extremadas do tonalismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No período que compreende a segunda metade do século XVIII, com Franz Joseph Haydn (1732-1809), até o início do século XX, o sistema tonal será afirmado e negado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A música tonal baseia-se em tensões e repousos. Definida a área tonal - fundada numa nota tônica que se impõe sobre as demais, levanta-se em seguida a negação dominante abrindo-se uma contradição, que o discurso musical tratará de resolver no desenvolvimento.&lt;br /&gt;Assim sendo, a nota tônica é negada dialeticamente por uma nota dominante podendo, através da modulação – movimento que leva de uma tonalidade a outra num processo musical contínuo, constituir-se, por sua vez, numa nova tonalidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mundo da música tonal é o mundo da dialética, do discurso narrativo. O mundo da música tonal é o mundo do discurso progressivo. No arco histórico inaugurado pela música de Haydn a linguagem musical dialoga com a própria modernidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-3420132928360361837?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/3420132928360361837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=3420132928360361837' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3420132928360361837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3420132928360361837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2008/01/adorno-e-filosofia-da-nova-msica-i.html' title='ADORNO E A FILOSOFIA DA NOVA MÚSICA I'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-9160827475745761483</id><published>2007-11-06T14:47:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T14:54:13.849-08:00</updated><title type='text'>A TAREFA DO PENSAMENTO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;ACERCA DO CONTO O OVO E A GALINHA DE CLARICE LISPECTOR &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                              Para João Silvestre (meu amigo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito daquelas conversas sobre a gravidade quântica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;Existe um conto de Clarice Lispector chamado O Ovo e a Galinha, que considero um dos textos mais impressionantes da literatura brasileira. Dê uma olhada nele, qualquer dia desses.&lt;br /&gt;Mas, não é sobre esse texto que eu quero falar.&lt;br /&gt;Desejo apenas destacar uma pequena passagem dele. Extraio a passagem do livro Felicidade Clandestina (1998, p. 55), editado pela Rocco.&lt;br /&gt;A passagem é a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;  Pego mais um ovo na cozinha, quebro-lhe casca e forma. E a partir deste instante exato nunca existiu um ovo. É absolutamente indispensável que eu seja uma ocupada e uma distraída. Sou indispensavelmente um dos que renegam. Faço parte da maçonaria dos que viram uma vez o ovo e o renegam como forma de protegê-lo. Somos os que se abstêm de destruir, e nisso se consomem. Nós, agentes disfarçados e distribuídos pelas funções menos reveladoras, nós às vezes nos reconhecemos. A um certo modo de olhar, a um jeito de dar a mão, nós nos reconhecemos e a isto chamamos amor.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não parece um contra-senso rematado, que a poeta se proponha a pensar o quebrar de um ovo para declarar, logo após, pertencer à confraria dos que “se abstêm de destruir”?&lt;br /&gt;O que Clarice quer dizer?&lt;br /&gt;Que confraria é essa, que pretende reunir os que se negam a compactuar com o vazio, com o não-ser?&lt;br /&gt;Eu vejo nessa passagem a seguinte lição: o pensamento, como atividade da razão, é uma tarefa que se coloca diante da necessidade de arrostar o “deserto”!&lt;br /&gt;(E o deserto é a regra; o deserto avança sempre, meu caro João...)&lt;br /&gt;O pensamento é uma exigência ética diante da luta titânica travada entre o homem e o NADA!&lt;br /&gt;A dita confraria é a reunião dos homens que se recusam a aceitar o deserto como destino.&lt;br /&gt;Essa tem sido a nossa confraria!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2.        &lt;br /&gt;O que isso pode significar no contexto de uma impossível “hermenêutica-filosófica-termodinâmica-existencial” da ordem púbica? &lt;br /&gt;Pela segunda lei da termodinâmica a quantidade de desordem no interior de um sistema aumenta com o tempo. Um ovo quebrado tem mais entropia que um ovo intacto. Uma extrapolação da 2ª lei da termodinâmica, nas condições indicadas, ensina que a atividade de preservação da ordem é “antinatural”.&lt;br /&gt;Diante disso, cabe uma pergunta: é razoável atribuir a um homem, ou a uma instituição, uma atividade “antinatural”?&lt;br /&gt;Eu digo que sim.&lt;br /&gt;E digo mais: como uma imposição da razão, a possibilidade de uma ordem demonstra que o pensamento é, fundamentalmente, uma atividade antinatural!&lt;br /&gt;Pensar é uma atividade antinatural, porque no exato momento em que pensamos interrompemos a ação.&lt;br /&gt;E a vida é, fundamentalmente, movimento!&lt;br /&gt;O poeta João Cabral de Melo Neto disse o seguinte no poema O Cão Sem Plumas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;em&gt;Um cão, porque vive, é agudo. O que vive não entorpece. O que vive fere. O homem porque vive, choca com o que vive. Viver é ir entre o que vive.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Pensar, portanto, significa adentrar um mundo que não é o dos viventes. Pensar é deixar o mundo dos viventes para entrar num diálogo silencioso com a própria alma. Platão disse isso no Teeteto. Pensar requer um afastamento do mundo, uma interrupção da ação.&lt;br /&gt;A coisa funciona assim: o pensamento cria o conceito. A linguagem congela o conceito e cria, a partir daí, uma regra (de direito ou moral). A regra, porque fixada, libera os homens, momentaneamente, da necessidade do pensamento, protegendo, em certo sentido, o próprio princípio metafísico da vida (ou da sociedade).&lt;br /&gt;(Eu estou convencido de que a lucidez é uma grande adversária da vida!)&lt;br /&gt;(Você lembra das palavras: mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás de morrer.&lt;br /&gt;É na qualidade de elemento corrosivo, e por isso perigoso, mas absolutamente fundamental para a ÉTICA, que reside o propósito do pensar!&lt;br /&gt;Pensar é paradoxal!&lt;br /&gt;Hannah Arendt – por quem sou decididamente apaixonado, disse, acerca da importância política e moral da atividade de pensar, que essa urgência somente aparece naqueles raros momentos da história em que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As coisas se esboroam; o centro não consegue se sustentar; / A mera anarquia é desatada sobre o mundo, quando: os melhores carecem de toda convicção, enquanto os piores/ Estão cheios de intensidade apaixonada&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós estamos vivendo um desses momentos!&lt;br /&gt;Nós estamos vivendo uma época “pós-moralista” (o termo é do Lipovetsky) que se caracteriza pelo descrédito dos discursos fundados na moral do sacrifício. Nossa Instituição, a Polícia Militar, tem aqui um tremendo problema, porque seu discurso e seus valores são fundados nessa cultura.&lt;br /&gt;(Tudo a nossa volta está se decompondo João. A modernidade está saindo de uma fase “sólida”, para uma fase “líquida”, como diz o Bauman. As conseqüências desse derretimento são imprevisíveis).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3.&lt;br /&gt;Ser homem é estar lançado, desde o dia em que se nasce, numa luta contra o deserto! É por isso que os homens merecem respeito, e apesar de todos os seus deslizes são criaturas pateticamente belas.&lt;br /&gt;Hegel disse que a história humana é um “matadouro”. Acho até que ele tinha lá suas razões. Mas, apesar disso, e contra tudo isso, é preciso, meu caro João, é preciso voltar a acreditar na perfectibilidade humana - ainda que toda a história pareça desmentir essa assertiva, porque essa crença é fundamental para sustentar o espírito humano em sua luta contra o deserto.&lt;br /&gt;Essa é a crença formadora da “maçonaria” dos que se negam a destruir.&lt;br /&gt;Para terminar, meu amigo, quero trazer à colação uma passagem do livro de John Fante Pergunte ao pó. Esse livro fala sobre a vida de um homem que entendeu que o sentido da vida não está na vida (seja lá o que isso for), mas em nós mesmos. Eu falo em nós, e com isso quero dizer que um homem só tem sentido diante de outro homem. Quero dizer que é a face do Outro que empresta conteúdo ao meu, e ao teu ser! Com isso quero dizer, João, que eu acredito que o Lévinas estava certo quando disse que a ética está na face de um homem, quando esse homem me interpela exigindo respeito!&lt;br /&gt;(Mas isso é outra estória).&lt;br /&gt;Mas já chega! falemos de nosso herói... falemos, de Arturo Bandini.&lt;br /&gt;Arturo Bandini (o protagonista) é um escritor de um único conto: O cachorrinho riu. Ele se apaixona por Camila, que ama Sammy, um barman. Sammy está gravemente doente e vai morrer. Camila pede, então, que Bandini leia uns manuscritos de Sammy e faça uma crítica. Bandini lê o texto, muito a contragosto, enquanto pensa: “consumindo cigarros e rindo freneticamente dos esforços de Sammy ...”. Bandini elabora uma carta para enviar a Sammy, onde expressa toda a sua diatribe contra o opúsculo. Mas, quando se prepara para postar a correspondência, algo de inusitado acontece: nosso herói é arrebatado pela emoção estética.&lt;br /&gt;Termino com John Fante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo o que era bom em mim me emocionou naquele momento, tudo o que eu esperava do profundo e obscuro significado da minha existência. Aqui estava a placidez interminável e muda da natureza, indiferente à grande cidade; aqui estava o deserto abaixo dessas ruas, ao redor dessas ruas, esperando que a cidade morresse para cobri-la com a areia eterna uma vez mais. Assaltou-me uma sensação aterrorizadora de entender o significado e o destino patético dos homens. O deserto sempre esteve aqui, um animal branco paciente, esperando que homens morressem, que civilizações lampejassem e se apagassem na escuridão. Então os homens me pareceram bravos e fiquei orgulhoso de figurar entre eles&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;             (Obs: Bandini não enviou a correspondência. Voltou para o seu quarto e passou três horas redigindo a melhor crítica que poderia fazer).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-9160827475745761483?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/9160827475745761483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=9160827475745761483' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/9160827475745761483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/9160827475745761483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2007/11/tarefa-do-pensamento.html' title='A TAREFA DO PENSAMENTO'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057220349673761836.post-3991174504935420284</id><published>2007-10-08T11:35:00.000-07:00</published><updated>2007-10-08T11:41:59.277-07:00</updated><title type='text'>Qual o papel da opinião pública e como tratá-la na gestão de riscos?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O filósofo Immanuel Kant (1724-1804) talvez tenha sido o pensador que primeiro esboçou o papel da opinião pública. Em resposta à pergunta o que é esclarecimento (2005, p. 68), Kant sustenta que o projeto iluminista consiste na saída do homem da menoridade. Por menoridade o filósofo entendia a falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo, ou seja, de dirigir-se de acordo com a própria razão, sem a direção de outrem. É através da intermediação dos sábios, no uso público da razão, que as massas deveriam se iluminar.&lt;br /&gt;Kant afirma no opúsculo citado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           [...] se franquearia a qualquer cidadão [...] na qualidade de sábio, o direito de fazer publicamente, isto é, por meio de obras escritas, seus reparos a possíveis defeitos das instituições vigentes. Estas últimas permaneceriam intactas, até que a compreensão da natureza de tais coisas se tivesse estendido e aprofundado, publicamente, a ponto de tornar-se possível levar à consideração do trono [...] (grifo meu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Kant a opinião pública pressupõe: uma sociedade livre (capaz de pensar por si mesma) e suficientemente articulada; além disso, um espaço que permita a formação de opiniões.&lt;br /&gt;Opinião pública, segundo Kant, serve para fazer pensar e atuar sobre o poder.&lt;br /&gt;A questão que se coloca, hoje, é que numa sociedade de massa a opinião pública não se constrói a partir do debate público de idéias, mas a partir da manipulação das idéias exercida fortemente pela mídia.&lt;br /&gt;Assim, não seria exagero dizer que não existe mais uma opinião pública, no sentido kantiano, mas, meramente, uma opinião que se publica.&lt;br /&gt;É preciso levar em conta a natureza dessa distorção, quando se gerencia riscos.&lt;br /&gt;A opinião pública, numa sociedade de massa, como a nossa, se constitui a partir de um sistema que serve a uma lógica que não é mais a do esclarecimento, como pretendia Kant, mas da publicidade. No processo de constituição da “opinião”, portanto, opera uma linguagem que manipula afetos e humores em torno da imagem associada à idéia que se pretende veicular, transformando-a em espetáculo.&lt;br /&gt;A gestão deve considerar que o risco será maior do que efetivamente é, na medida em que o fenômeno considerado se prestar, mais facilmente, à conversão em espetáculo.&lt;br /&gt;A melhor maneira de lidar com essa “opinião pública” é trabalhar meios de minimizar as oportunidades do espetáculo, no momento de gerenciar o risco.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057220349673761836-3991174504935420284?l=bboasideiass.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bboasideiass.blogspot.com/feeds/3991174504935420284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5057220349673761836&amp;postID=3991174504935420284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3991174504935420284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057220349673761836/posts/default/3991174504935420284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bboasideiass.blogspot.com/2007/10/qual-o-papel-da-opinio-pblica-e-como.html' title='Qual o papel da opinião pública e como tratá-la na gestão de riscos?'/><author><name>A CANÇÃO DE SIRUIZ</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08527182498359620128</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_-W1eCdWYaVo/SpWmHznpPLI/AAAAAAAAAAM/n5nVjL3fB9s/S220/isnf.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
